O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) negou o pedido da defesa do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto para que o processo sobre a morte da soldado Gisele Alves Santana, sua esposa, fosse colocado em sigilo. A decisão foi tomada após a solicitação citar reportagens jornalísticas que exibiram trechos de interrogatórios, imagens de câmeras corporais e laudos periciais.
O oficial é acusado de feminicídio e está detido no Presídio Militar Romão Gomes desde 18 de março. Ele nega a acusação e sustenta que a companheira morreu (causas em apuração)io. Gisele, de 32 anos, foi encontrada morta em um apartamento no bairro do Brás, na capital paulista, em fevereiro deste ano.
Segundo a defesa, a divulgação de conteúdos do processo teria violado o direito de imagem do tenente-coronel, que também pediu a realização de diligências sobre a vida da vítima. O TJSP, no entanto, rejeitou os argumentos e manteve o andamento regular do caso.
A apuração do Metrópoles, conduzida pela coluna de Alfredo Henrique, indicou que o processo está na reta final. Novos depoimentos podem levar à expulsão do oficial da corporação, conforme informações divulgadas anteriormente.
Familiares de Gisele relataram que ela tentava se separar do marido e que a relação era considerada abusiva. Inicialmente, a ocorrência foi registrada como óbito, mas a investigação foi reclassificada como morte suspeita ainda no mesmo dia do óbito, quando o coronel teve a prisão decretada.
De acordo com as investigações, a soldado foi ferida com a arma do marido. O tenente-coronel, mesmo orientado a aguardar a perícia, teria cruzado a porta do imóvel acompanhado por policiais, conforme relatos de testemunhas. A defesa contesta essas informações.
O caso ganhou repercussão após a exibição de trechos do interrogatório judicial em que o oficial aparece em vestimenta carcerária, além de áudios da polícia e laudos periciais. A defesa argumenta que esse material compromete a imagem do acusado, mas a Justiça entendeu que não há fundamento para restringir a publicidade processual.
A decisão do TJSP reforça o princípio da publicidade dos atos processuais, salvo em situações excepcionais previstas em lei. O processo segue em tramitação e novos depoimentos devem ser colhidos nos próximos dias.
Procurada, a defesa do tenente-coronel não se manifestou até a publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto para eventuais esclarecimentos.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/pm-gisele-justica-nega-pedido-de-coronel-para-colocar-sigilo-em-processo

