A Justiça de São Paulo analisa o pedido da Polícia Civil para converter em preventiva a prisão em flagrante dos pais de uma menina autista de seis anos que caiu do quinto andar de um prédio no Jardim Bonifácio, zona leste da capital, na tarde da última segunda-feira (26). O casal foi autuado por abandono de incapaz e passou por audiência de custódia.
De acordo com o boletim de ocorrência obtido pela reportagem, a delegada Ana Paula Lombardi Candido, do 63º Distrito Policial, na Vila Jacuí, apontou contradições nos depoimentos dos pais sobre o período em que a criança ficou sem supervisão. Imagens de câmeras de segurança do condomínio mostram o casal saindo do edifício às 12h17 e retornando somente às 16h01.
Pouco depois, às 16h15, os dois deixam o local novamente. A menina cai da janela às 17h12, e os pais só reaparecem em casa às 17h27. Outras gravações, cedidas à imprensa, exibem o momento da queda e a corrida de moradores para prestar socorro.
A criança foi levada ao Hospital Santa Marcelina, em Itaquera, e permanece internada em observação. Segundo as primeiras informações, o quadro não é grave. O Conselho Tutelar acompanha o caso.
Em um primeiro relato, o pai afirmou que havia saído com a esposa para ir ao supermercado e deixado a filha dormindo no apartamento. Em seguida, mudou a versão e disse que saiu sozinho, permanecendo a mulher em casa com a criança. Já a mãe declarou inicialmente que estava no imóvel enquanto o marido se ausentou e que dormiu, acordando com a queda da filha.
Posteriormente, a mãe disse que saiu às 16h15 para procurar o marido após uma discussão, deixando a menina dormindo. A polícia suspeita que a criança segurava um guarda-chuva no momento da queda; o objeto foi encontrado aberto ao lado dela.
As prisões em flagrante foram fundamentadas nas imagens obtidas pela polícia, que teriam sido decisivas para contradizer as versões apresentadas pelo casal. A investigação segue a cargo do 63º DP, que também apura as circunstâncias da queda.
O caso reacende o debate sobre a rede de proteção a crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e a responsabilidade legal dos cuidadores. Especialistas ouvidos sob condição de anonimato lembram que o abandono de incapaz é crime previsto no Código Penal, com pena que pode chegar a três anos de detenção, além de medidas protetivas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente.
A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo não se manifestou sobre o andamento das investigações até a publicação desta reportagem. O Hospital Santa Marcelina também não divulgou boletim médico atualizado sobre o estado de saúde da menina.
A Justiça deve decidir nos próximos dias sobre a manutenção das prisões. Enquanto isso, a criança permanece sob cuidados médicos e acompanhamento do Conselho Tutelar, que avalia a situação da família e eventuais medidas de proteção.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/pais-sao-presos-apos-filha-autista-ficar-sozinha-e-pular-do-5-andar-em-sp

