A Vigilância Sanitária de São Paulo realizou, na tarde desta sexta-feira (23), uma inspeção no Hospital e Maternidade Salvalus, na zona leste da capital paulista, para apurar as circunstâncias de uma série de mortes de bebês registradas na unidade ao longo do último ano. A informação foi divulgada pelo próprio órgão em comunicado.
De acordo com a nota, participaram da vistoria os Centros de Vigilância Sanitária (CVS) e de Vigilância Epidemiológica (CVE) estaduais, além da Vigilância Epidemiológica Municipal. O texto menciona a análise de 35 óbitos, embora informações obtidas pela reportagem indiquem pelo menos 36 mortes.
As equipes avaliaram as condições de funcionamento das unidades neonatal e pediátrica, os protocolos de higienização e prevenção de infecções e o monitoramento dos indicadores assistenciais, segundo o comunicado. Também foram analisadas mudanças no perfil de atendimento, especialmente em relação a pacientes de alta complexidade.
A Vigilância Sanitária afirmou que toda a documentação coletada está em «análise prioritária» para que sejam adotadas as medidas administrativas cabíveis. O órgão não detalhou prazos nem quais providências podem ser tomadas.
A Polícia Civil de São Paulo instaurou inquérito para investigar as mortes. Segundo as apurações, as crianças teriam contraído infecções no ambiente hospitalar e evoluído para quadros de sepse ou choque séptico, além de outras complicações. O 8º Distrito Policial (Brás) apura seis casos, mas a reportagem teve acesso a 16 certidões de óbito.
Uma advogada que representa os pais das vítimas afirmou estar em contato com 36 mães que perderam os filhos nos últimos meses no hospital, que integra a rede HapVida. O número de mortes pode ser significativamente maior, segundo a profissional.
«Pra todos os efeitos, na rede [HapVida] o Salvalus é o hospital referência. Então, todos os casos vão para lá. Por isso, a gente não tem noção da profundidade da quantidade de óbitos», disse a advogada Eduarda Fragnan Gomes ao Metrópoles.
Entre os casos relatados estão o de um bebê que deu entrada com inflamação na garganta e morreu com necrose no pé, o de um recém-nascido que faleceu após paradas cardiorrespiratórias e hemorragia e o de uma criança que teve infecção bacteriana no cérebro.
Procurada, a assessoria do Hospital Salvalus informou que os pacientes possuíam condições clínicas de elevada gravidade e receberam assistência multidisciplinar. A unidade não comentou especificamente as suspeitas de infecção hospitalar.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) foi questionada sobre o andamento das investigações e informou que os casos estão sob apuração da Polícia Civil. O Metrópoles procurou também o Conselho Regional de Enfermagem (Coren) e o Conselho Regional de Medicina (Cremesp), que já haviam anunciado apurações paralelas.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/vigilancia-sanitaria-fez-inspecao-em-hospital-de-sp-onde-36-bebes-morreram

