A Justiça de São Paulo absolveu o empresário Yann Kuhn da acusação de integrar uma organização que comercializava diferentes tipos de maconha pela internet, com envio das encomendas pelos Correios. A sentença foi protocolada na última quinta-feira (15/10) pela 21ª Vara Criminal do Fórum da Barra Funda, seis anos após o início das investigações.
O juiz Gustavo Comin Otaviano, responsável pelo caso, afirmou que inexiste qualquer prova da materialidade a respeito da posse de entorpecentes por parte dos réus, incluindo Kuhn. Segundo o magistrado, não foram apresentados elementos suficientes que comprovassem o envolvimento do empresário com o grupo criminoso.
Kuhn havia sido apontado por autoridades da Delegacia de Dracena, no interior paulista, como um dos integrantes da suposta organização, que atuava em diversos municípios do estado. De acordo com a investigação, iniciada em 2020, os entorpecentes eram despachados quase sempre por postagens nos Correios.
Durante o processo, a defesa do empresário sustentou que ele é usuário de maconha desde os 19 anos e que, na época da operação, teve celulares furtados. Kuhn alegou consumir a droga de forma exacerbada, cerca de 3 a 4 gramas por dia, e chegou a ser internado por familiares por aproximadamente seis meses.
Ao Metrópoles, o advogado Eduardo Maurício, que representa o empresário, declarou que a absolvição demonstrou que seu cliente é um empresário idôneo que nunca foi envolvido com tráfico de drogas e associação criminosa, conforme imputação feita pela autoridade policial e pelo Ministério Público, que ele classificou como fantasiosa.
A decisão judicial reforça a necessidade de provas concretas para sustentar acusações de tráfico de drogas e associação criminosa. O caso tramitou por seis anos até o desfecho favorável ao empresário, que agora se vê livre das acusações.
Procurado, o Ministério Público de São Paulo não informou se vai recorrer da decisão. A reportagem não localizou os demais réus ou seus representantes legais até a publicação desta matéria.
O processo corre sob segredo de justiça, e os detalhes sobre as provas apresentadas não foram divulgados. A absolvição de Kuhn ocorre em um contexto de debates sobre a política de drogas no país e a atuação das forças de segurança no combate ao tráfico.
A reportagem tentou contato com a Delegacia de Dracena para comentar a decisão, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição. O espaço segue aberto para manifestações.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/justica-absolve-empresario-de-integrar-grupo-que-vendia-maconha-potente

