A deputada federal Erika Hilton (PSol-SP) protocolou na Câmara dos Deputados um requerimento para criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) com o objetivo de investigar a atuação de grandes empresas de tecnologia nas eleições de 2026. O foco principal da proposta é a Meta, controladora do Instagram, Facebook, WhatsApp e Threads.
De acordo com o documento, a comissão teria a atribuição de apurar possíveis interferências estrangeiras no processo eleitoral, manipulação do debate público, disseminação de desinformação e eventuais irregularidades no tratamento de dados pessoais. O texto também menciona o uso de algoritmos e inteligência artificial na distribuição de conteúdo político e de publicidade eleitoral.
Para que a CPI seja instalada, é necessário que Erika Hilton reúna o número mínimo de assinaturas de deputados. Conforme o requerimento, a comissão seria composta por 26 titulares e igual número de suplentes, com prazo de 120 dias para a conclusão dos trabalhos.
A proposta surge em meio a denúncias de restrições a publicações ligadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas plataformas da Meta. No documento, a deputada afirma que falhas na moderação e na distribuição de conteúdo teriam prejudicado a campanha petista e comprometido a igualdade de condições entre os candidatos.
O requerimento cita dificuldades para impulsionar publicações, redução do alcance de conteúdos políticos e problemas na ferramenta de inteligência artificial da empresa. Segundo a parlamentar, usuários relataram que a Meta IA, integrada ao WhatsApp, impedia a geração de determinadas imagens relacionadas a Lula, enquanto permitia pedidos semelhantes envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL), também candidato à Presidência.
O texto afirma que a própria Meta reconheceu falhas que prejudicaram conteúdos da campanha de Lula, embora a empresa negue interferência política deliberada. A deputada defende que a CPI esclareça as circunstâncias dos problemas e apure se houve tratamento desigual entre as candidaturas.
O requerimento também menciona levantamentos sobre anúncios eleitorais e conteúdos produzidos por inteligência artificial que, segundo os estudos citados, teriam circulado nas plataformas da empresa sem identificação adequada ou com informações falsas.
Entre os pontos que Erika Hilton pretende investigar estão a aprovação de anúncios políticos, a transparência dos algoritmos e a responsabilidade das big techs na moderação de conteúdo. A deputada argumenta que a CPI é necessária para garantir a integridade do processo eleitoral e a soberania nacional.
Procurada, a Meta não se manifestou até a publicação desta reportagem. O requerimento ainda depende da coleta de assinaturas para ser formalmente apresentado e, posteriormente, analisado pela Mesa Diretora da Câmara.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/erika-hilton-propoe-cpi-para-investigar-atuacao-das-big-techs-nas-eleicoes

