O embarque na Linha 17-Ouro do monotrilho, em São Paulo, tem sido acompanhado por orientações para que os passageiros busquem os vagões com menor ocupação. A prática, observada na plataforma da Estação Morumbi, não é apenas uma questão de conforto: trata-se de um procedimento operacional para distribuir melhor o peso entre os cinco carros que compõem cada composição.
O sistema funciona de forma autônoma, mas mantém supervisão humana. Nos painéis de controle dentro dos trens, é possível acompanhar a variação percentual da carga de cada vagão ao longo do trajeto. Em um trecho no pico da tarde, por exemplo, um dos carros registrou 58% de capacidade após a Estação Chucri Zaidan e caiu para 16% ao chegar à Estação Campo Belo, onde há integração com a Linha 5-Lilás.
Segundo um funcionário que supervisiona a circulação, quando um vagão atinge 70% da capacidade de carga, é acionado um gatilho operacional para redistribuir os passageiros internamente e evitar a sobrecarga. A medida busca impedir que a composição parta com um único carro próximo do limite máximo.
O diretor de engenharia e planejamento do Metrô de São Paulo, Roberto Torres, explica que o controle de carga faz parte da operação normal do sistema e traz benefícios que vão além da segurança imediata. «O controle de carga, essa nossa engenharia, está em todos os carros, gerenciando o trem como um todo. Quando tem isso, a gente garante naturalmente o equilíbrio dinâmico do trem em todas as curvas, em todas as rampas, traz melhor eficiência energética, tem conforto térmico em relação ao ar-condicionado», afirma.
De acordo com Torres, a atuação preventiva ou a orientação para uma melhor distribuição dos passageiros integra o procedimento padrão de operação de sistemas de transporte sobre trilhos. O objetivo é assegurar que o equipamento opere dentro de parâmetros seguros e preserve sua vida útil, estimada em 30 anos.
A reportagem do Metrópoles vivenciou a situação na última semana, na Estação Morumbi, quando um segurança orientou os passageiros a procurar a extremidade mais vazia da plataforma. A abordagem, segundo a Companhia do Metrô, faz parte das medidas para garantir a segurança na circulação.
A Linha 17-Ouro é um dos principais investimentos de mobilidade da zona sul da capital paulista e conecta pontos estratégicos, como o Aeroporto de Congonhas. O monitoramento constante da distribuição de peso é apontado como essencial para o funcionamento adequado do monotrilho, que tem características técnicas distintas dos trens convencionais.
A operação do sistema segue sob supervisão humana, mesmo com os recursos automatizados. A orientação para redistribuição de passageiros ocorre de forma pontual, conforme a lotação de cada carro, e não representa interrupção do serviço.
O Metrô de São Paulo não informou quantas vezes o gatilho de 70% foi acionado desde o início da operação comercial da linha. A companhia reforça que os procedimentos adotados seguem normas de engenharia e visam à segurança dos usuários.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/linha-17-superlotacao-vagao-pode-parar-monotrilho

