A Polícia Civil de São Paulo realizou, nesta quinta-feira (24/9), uma operação com oito mandados de busca e apreensão em endereços de empresas ligadas aos investigados pelo desabamento de um prédio na Penha, zona leste da capital paulista. A ocorrência deixou seis mortos, entre eles uma mulher grávida.
As diligências aconteceram na cidade de São Paulo e também no Guarujá, no litoral paulista. Durante as buscas, foram apreendidos celulares, computadores e documentos, que serão submetidos a análise pericial. A ação busca aprofundar a apuração sobre as responsabilidades pelo colapso da estrutura.
«A partir dos elementos apreendidos e das diligências realizadas, vamos aprofundar a análise dos fatos e identificar as responsabilidades de cada envolvido», afirmou a delegada titular do distrito responsável pelas investigações, Deidiene Fialho Costa Éboli.
Os principais investigados já foram identificados e são alvo de mandados de prisão temporária de 30 dias. Ronaldo Vivacqua, apontado como sócio oculto da Construtora New Home, está preso. Já Cristiano Vivacqua, responsável técnico pela obra e filho de Ronaldo, e Ísis Brandão, responsável legal da empresa, seguem foragidos.
De acordo com a Polícia Civil, a decretação das prisões levou em conta o fato de os investigados não terem se apresentado espontaneamente para prestar esclarecimentos, não terem se colocado à disposição da investigação nem fornecido informações técnicas sobre a edificação. A decisão também considerou o risco de fuga e de destruição de possíveis provas.
A servidora municipal Viviane Rodrigues de Palma, que atestou a demolição da estrutura existente no local antes do desabamento, prestou depoimento e também é investigada. Além disso, a polícia apura suspeitas de estelionato envolvendo a venda de imóveis pelas construtoras ligadas aos suspeitos, com quatro inquéritos instaurados.
O desabamento ocorreu por volta das 2h do dia 12 de setembro, quando um prédio em construção caiu sobre uma casa na Rua Tequici, na Penha. Seis pessoas morreram e outras duas foram resgatadas com vida: um homem de cerca de 30 anos e uma criança de 5 anos.
Segundo a Defesa Civil, três imóveis próximos foram interditados e passariam por nova avaliação técnica. A construção já havia sido alvo de recomendações de retirada de famílias após vistoria de engenheiro, e um documento assinado em 2024 afirmava que a demolição havia sido concluída.
O prefeito Ricardo Nunes acionou a Controladoria-Geral do Município para investigar o caso, e uma servidora que ocupava cargo de chefia foi exonerada. As investigações prosseguem para esclarecer as circunstâncias do colapso e identificar todos os responsáveis.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/investigados-desabamento-busca-apreensao

