Os registros de acidentes de trânsito na cidade de São Paulo seguem apontando a participação expressiva de motocicletas. Levantamento do Infosiga referente ao período de janeiro a agosto indica que as motos estiveram envolvidas em 67,3% dos mais de 2.000 sinistros graves ou fatais ocorridos na capital paulista.
Em números absolutos, isso significa que dois de cada três acidentes com vítimas graves ou óbitos tiveram uma motocicleta entre os veículos envolvidos. O total de ocorrências dessa natureza passou de 2.000 no acumulado dos oito primeiros meses do ano.
O levantamento também aponta que 334 motociclistas perderam a vida em decorrência de acidentes de trânsito na capital entre janeiro e agosto. O número representa um aumento de 6,4% em relação ao mesmo intervalo de 2025, quando foram contabilizados 314 óbitos, e configura o maior patamar da série histórica iniciada em 2015.
Além das mortes de condutores de moto, os dados do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-SP) mostram que, dos 658 acidentes fatais registrados na cidade, as motocicletas tiveram alguma participação em 57,9% deles, o equivalente a 381 casos e 388 mortos. A contagem inclui não apenas motociclistas, mas também pedestres e outros envolvidos que podem ter sido atingidos.
Quando se observa apenas os acidentes graves, a presença de motos é ainda mais significativa. Entre os 1.407 casos registrados no período, 1.009 contaram com motocicletas, o que corresponde a 71,7% do total.
As colisões aparecem como o principal tipo de sinistro envolvendo motocicletas, respondendo por 77,2% das ocorrências. Nos acidentes graves, esse percentual é de 72,8%, com 735 casos. Já nos acidentes com morte, a participação das colisões cai para 46,2%, com 176 ocorrências.
Quem trabalha nas ruas da capital relata a rotina de riscos. O motoboy Vagner Barcelos, 45 anos, que já sofreu acidente grave no trânsito paulistano, afirma que a exposição é diária. «Todos os dias, a gente vê um irmão acidentado nas vias. Só tem uma maneira de sobreviver em trânsito como o de São Paulo, de grande metrópole. É andar bem devagar, devagar mesmo, para que quando aconteça não seja grave. Velocidade máxima de 50 km/h, 60 km/h. É a maneira de sobreviver a isso», declarou.
Barcelos também menciona a pressão por entregas mais rápidas. «Nem sempre quer andar rápido, mas muitas vezes está sendo cobrado», disse o motoboy, que associa a cobrança por agilidade ao aumento do risco nas vias.
Procurada, a Prefeitura de São Paulo, por meio da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), informou que mantém ações contínuas para ampliar a segurança do sistema viário e reduzir acidentes envolvendo motoristas, pedestres, motociclistas e ciclistas. Entre as iniciativas citadas está a Faixa Azul, com 233,3 quilômetros implantados, além de atividades educativas realizadas ao longo do ano e do monitoramento diário de ocorrências.
Os dados reforçam a necessidade de atenção ao modal, que combina crescimento no número de entregadores, jornadas extensas e exposição maior em vias de grande circulação. As informações são públicas e estão disponíveis nos sistemas do Infosiga e do Detran-SP.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/motos-2-cada-3-acidentes-graves-ou-fatais-sp

