O Tribunal de Justiça de São Paulo informou na última quinta-feira (17) que registrou uma alteração indevida no mandado de prisão de Alex Leandro Bispo dos Santos, conhecido como «Escorpião do PCC», no Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões. Segundo o tribunal, a modificação foi feita com credenciais vinculadas a uma juíza do Rio Grande do Sul.
De acordo com o Ministério Público de São Paulo, a principal linha de apuração aponta para a ação de um invasor que teria obtido acesso ao sistema público e utilizado os dados funcionais da magistrada. Com a alteração, o nome e o CPF do investigado foram modificados no banco de dados, de modo que ele deixava de aparecer como procurado em consultas feitas por agentes de segurança.
O caso envolvendo Alex é investigado como feminicídio contra sua ex-companheira, Mariana Katiane Gomes da Silva. A ocorrência foi registrada em 29 de novembro do ano passado, na zona sul da capital paulista. Conforme a apuração, ele teria agredido a vítima e a lançado da janela do apartamento onde moravam.
A Promotoria pede a condenação do acusado pelo crime e requer indenização mínima de R$ 500 mil à família da vítima. A defesa de Alex sustenta que ele é inocente e afirma que a vítima teria cometido óbito. Não há decisão final sobre o mérito da acusação.
Além desse processo, o Ministério Público aponta que Alex se apresentava como integrante do Primeiro Comando da Capital. Em áudios incluídos no inquérito, o acusado afirma ter vínculo com a facção e diz que não deve satisfação a ninguém. Durante interrogatório, ele negou participação em organização criminosa.
No início de agosto deste ano, o juiz responsável concedeu liberdade provisória e Alex foi solto. O Ministério Público recorreu e obteve o restabelecimento da prisão preventiva. Ele, porém, não se apresentou às autoridades e segue sendo procurado, segundo os autos.
Conforme o processo, a fraude no sistema ocorreu em 23 de agosto, com uso de login e senha de uma juíza da cidade de Planalto, no Rio Grande do Sul. A investigação busca identificar como as credenciais foram obtidas e quem teria executado a alteração no cadastro nacional.
Os autos também mencionam suposta relação de Alex com a produção do filme Dark Horse, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o processo, ele teria recebido R$ 12 milhões da produtora executiva da obra, Karina Pereira da Gama, presidente do Instituto Conhecer Brasil. A informação consta da apuração e não representa conclusão judicial.
O Tribunal de Justiça de São Paulo não detalhou quais providências internas foram adotadas após a constatação da fraude, nem informou se o caso foi encaminhado a órgãos de investigação. O espaço segue aberto para manifestações das partes citadas.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/hackers-senha-juiza-apagar-mandado-escorpiao-do-pcc

