O Anuário Brasileiro da Educação Básica, em sua 13ª edição, foi divulgado nesta terça-feira (22) e traz um panorama preocupante sobre a formação de professores no país. Apenas 14,7% dos estudantes que ingressaram em cursos de licenciatura via Enem em 2024 estavam entre os 20% com melhor desempenho na prova.
O índice é menos da metade do registrado entre os calouros de Direito, que alcançou 32,6%, e muito inferior ao de Medicina, que chegou a 81,2%. A comparação evidencia a baixa atratividade das licenciaturas para os alunos de alto rendimento.
A série histórica, iniciada em 2018, mostra tendência de queda. Em 2020, o percentual de ingressantes de licenciaturas entre os melhores colocados no exame era de 22,7%. O menor patamar foi registrado em 2023, com 14%, e o número atual representa uma leve recuperação, mas ainda distante dos patamares anteriores.
Os dados foram calculados a partir de microdados do Enem e do Censo da Educação Superior, disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
Além da atratividade, o anuário aponta deficiências na formação dos concluintes. Em 2025, somente 20,2% dos formandos em licenciaturas avaliados atingiram o nível considerado adequado no Enade. Outros 42,2% ficaram abaixo do nível básico.
A diferença entre as modalidades de ensino é expressiva. Entre os estudantes de licenciaturas à distância, 53,1% ficaram abaixo do nível básico, enquanto nos cursos presenciais esse percentual foi de 26,1%.
Para Gabriel Corrêa, diretor de políticas públicas do Todos Pela Educação, os indicadores revelam dificuldades tanto para atrair estudantes de alto desempenho quanto para garantir uma formação adequada aos futuros professores. «O país ainda enfrenta o desafio de construir políticas capazes de atrair esses estudantes, melhorar a formação inicial e oferecer condições de carreira e remuneração que ajudem a manter bons profissionais na docência», afirmou.
O anuário também destaca desigualdades educacionais, como diferenças no acesso a creches por renda e na conclusão do Ensino Médio entre jovens brancos, amarelos, pretos, pardos e indígenas em 2025.
A publicação é elaborada pelo Todos Pela Educação, Fundação Santillana e Editora Moderna, e reúne dados e séries históricas sobre aprendizagem, acesso, trajetória e infraestrutura da educação no Brasil e nos estados.
Os números reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas à valorização da carreira docente e à melhoria da qualidade da formação inicial, temas que seguem como desafios centrais para a educação básica no país.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/licenciaturas-atraem-menos-alunos-com-notas-altas-no-enem-aponta-anuario

