As Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) do estado de São Paulo registraram, em média, 20 boletins de ocorrência por hora entre janeiro do ano passado e agosto deste ano. Os números foram obtidos pelo Sindicato dos Delegados de Polícia (Sindpesp) por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI).
No total, foram lavrados 183.904 boletins em 2025 e outros 118.012 nos oito primeiros meses deste ano, somando 301.916 registros. O volume equivale a 20,7 ocorrências a cada 60 minutos nas unidades especializadas.
As delegacias também instauraram 120.733 inquéritos no ano passado e 77.316 entre janeiro e agosto deste ano, o que representa 13,5 procedimentos por hora. No mesmo período, as DDMs realizaram 17.137 prisões em flagrante, quase 1,2 por hora, além de 2.042 prisões de outras naturezas.
O levantamento ainda aponta que a Justiça concedeu 95.798 medidas protetivas em 2025 e 36.702 nos oito primeiros meses deste ano, após o trabalho das delegacias especializadas. Isso corresponde a cerca de nove medidas protetivas deferidas por hora.
Apesar da demanda, a estrutura de atendimento segue concentrada. Até agosto deste ano, o estado contava com 144 DDMs físicas, mas somente 20 funcionavam em regime de 24 horas, menos de 14% do total. As unidades com atendimento ininterrupto estão concentradas na capital paulista, distantes do interior, região que tem puxado a alta de feminicídios no estado.
No primeiro semestre de 2026, São Paulo registrou 141 casos de feminicídio, com 142 mulheres mortas — duas vítimas foram assassinadas em uma única ocorrência. Os dados reforçam a preocupação com a capilaridade e o horário de funcionamento dos serviços especializados.
O Sindpesp afirmou que há tempos manifesta preocupação com promessas de expansão das unidades 24 horas feitas em campanhas eleitorais por candidatos de diferentes espectros políticos. Para a entidade, a abertura de novas delegacias precisa vir acompanhada de condições adequadas de atendimento.
«Consideramos importante medidas que venham para somar na luta contra a violência doméstica e familiar, mas não basta abrir delegacias 24h e de forma açodada. É preciso que haja condições para que o atendimento seja, de fato, prestado com a qualidade e o acolhimento necessários às vítimas, e com condições dignas de trabalho aos policiais civis», afirmou a delegada Jacqueline Valadares, presidente do Sindpesp.
A entidade destaca que não são apresentadas soluções para a falta de contingente e de estrutura dos agentes, nem para a necessária valorização salarial. Também não há, segundo o sindicato, demonstração de preocupação com a sobrecarga de trabalho e com a saúde dos profissionais da Segurança Pública.
O cenário evidencia o desafio de ampliar o atendimento especializado no estado, que concentra a maior rede de DDMs do país, mas ainda enfrenta limitações de horário e distribuição geográfica para atender à demanda registrada.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/delegacias-mulher-sp-20-bos-hora

