O Ministério Público de São Paulo (MPSP) encaminhou à Justiça Militar um conjunto de provas que menciona três coronéis da Polícia Militar em uma apuração sobre uma estrutura financeira supostamente usada pela facção Primeiro Comando da Capital (PCC). A informação consta em documentos do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Segundo o Gaeco, os nomes dos oficiais aparecem na denúncia contra 19 suspeitos de participar do esquema conhecido como «Banco do Crime». Os coronéis citados são José Augusto Coutinho, Luiz Carlos Pereira Martins e um terceiro identificado apenas como «Patricio».
Os três coronéis não foram denunciados nesta ação penal. O documento também não detalha, nesse trecho, quais crimes individualmente teriam sido praticados por cada oficial. A investigação separada deverá aprofundar justamente essas suspeitas.
De acordo com o MPSP, uma cópia integral dos autos foi enviada, com autorização para compartilhamento das provas, para subsidiar a instauração de inquéritos que deverão tramitar na Justiça Militar.
A denúncia foi apresentada na sexta-feira (11/9) contra 19 suspeitos de envolvimento no grupo criminoso alvo da Operação Janus, deflagrada em julho deste ano. A operação mirou um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC.
Além da condenação dos presos, a denúncia pede o pagamento de, ao menos, R$ 10 milhões como reparação por danos coletivos e sociais.
Conforme os promotores do Gaeco, os investigados criaram um banco clandestino para ocultar valores provenientes do tráfico de drogas e de outras atividades criminosas. O esquema envolvia empresas de fachada, contas bancárias de terceiros e operações chamadas de «troca de TED por vivo», que consistiam na troca de transferências bancárias por dinheiro em espécie.
A denúncia foi embasada em elementos obtidos durante a operação, como trocas de mensagens, áudios e planilhas. O material indicou movimentações financeiras incompatíveis com as atividades declaradas por algumas empresas, além de transferências com objetivo de ocultar os recursos.
Segundo o MPSP, uma das empresas movimentou mais de R$ 28 milhões em um período de seis meses, embora o faturamento anual declarado fosse de aproximadamente R$ 5 milhões.
A apuração segue em sigilo e os citados não foram formalmente acusados na ação principal. O caso aguarda desdobramentos na Justiça Militar.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/banco-pcc-mpsp-coroneis-possiveis-crimes

