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MPSP denuncia 19 suspeitos por banco clandestino ligado ao PCC em São Paulo

Operação Janus investiga esquema de lavagem de dinheiro que usava empresas de fachada e contas de terceiros para ocultar valores do tráfico; denúncia pede R$ 10 milhões por danos coletivos.

Segundo o MPSP, negócio registrado em nome da mãe e do padrasto servia para formalizar pagamentos aos PMs envolvidos no esquema ligado ao PCC. Arte Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
15 de setembro de 202609:25
Atualizado agora há pouco às 12:25

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou, na última sexta-feira (11/9), 19 pessoas suspeitas de integrar o grupo criminoso investigado na Operação Janus, deflagrada em julho deste ano. A operação tem como foco um esquema de lavagem de dinheiro com ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).

De acordo com os promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), os investigados teriam criado um banco clandestino para ocultar recursos provenientes do tráfico de drogas e de outras atividades criminosas. O esquema envolvia empresas de fachada, contas bancárias de terceiros e operações conhecidas como “troca de TED por vivo”, que consistiam na troca de transferências bancárias por dinheiro em espécie.

A denúncia foi embasada em elementos obtidos durante a operação, como mensagens, áudios e planilhas. Esse material apontou movimentações financeiras incompatíveis com as atividades declaradas por algumas empresas, além de transferências destinadas a ocultar a origem dos recursos.

Segundo o MPSP, uma das empresas movimentou mais de R$ 28 milhões em um período de seis meses, embora o faturamento anual declarado fosse de aproximadamente R$ 5 milhões. A diferença entre os valores chamou a atenção dos investigadores e reforçou a suspeita de uso da estrutura para lavagem de dinheiro.

Os operadores financeiros do PCC também teriam atuado em episódios identificados como “tribunais do crime” e participado de reuniões para resolver conflitos patrimoniais. Em um dos casos, o grupo financeiro teria recorrido à facção para solucionar uma disputa relacionada a imóveis de luxo na Riviera de São Lourenço, no litoral paulista.

«A denúncia reúne os elementos de materialidade e indícios de autoria, tal qual renova o indicativo da periculosidade dos agentes, a gravidade concreta dos delitos, o envolvimento recorrente criminoso», afirmaram os promotores.

Além da condenação dos acusados, a denúncia pede o pagamento de, no mínimo, R$ 10 milhões como reparação por danos coletivos e sociais, caracterizados pela violação dos princípios de segurança pública e paz social. A solicitação busca compensar os prejuízos causados à coletividade pelas atividades do grupo.

A Operação Janus foi deflagrada em julho e segue em desdobramentos. As investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos e aprofundar a apuração sobre a movimentação financeira do esquema.

O caso está sob responsabilidade do Gaeco e tramita em sigilo. Os denunciados responderão pelos crimes apontados na denúncia, e a Justiça avaliará os pedidos de condenação e reparação de danos.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/mpsp-denuncia-suspeitos-banco-paralelo-pcc

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