O candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) voltou a relacionar o filme Dark Horse às acusações de tráfico de influência envolvendo o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Durante agenda no Hospital Santa Marcelina, na zona leste de São Paulo, o presidenciável cunhou a expressão “Dark Lobby” para se referir ao suposto esquema, que também teria a participação de Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A declaração ocorreu um dia após a Coligação Brasil Pronto Pra Mais, da campanha de Lula, acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra Caiado e Renan Santos, candidato do partido Missão. A ação alega que os dois ultrapassaram os limites da liberdade de expressão ao propagarem “mentiras, calúnias e ofensas” durante o debate promovido pela TV Bandeirantes no último domingo (23/8).
Caiado afirmou que recebeu a notícia do processo com naturalidade e ironizou a situação. “É a nova grande produção brasileira do governo do presidente Lula. Está ali toda a parte do roteiro do filme, que foi escrito pelo celular da Roberta Luchsinger. Os atores principais que aparecem também no roteiro dela são Lulinha e Marcola”, disse o candidato, referindo-se a Roberta Luchsinger, ex-mulher de Lulinha, cujo celular teria sido apreendido em investigações anteriores.
O presidenciável ainda comentou que internautas já estariam antecipando o “Dark Lobby” nas redes sociais, com base nas mensagens atribuídas a Luchsinger. “Até na rede social já tem muitos que já estão antecipando esse Dark Lobby, já mostrando essas cenas todas baseadas naquilo que o telefone da Roberta está reproduzindo”, completou.
A campanha de Lula protocolou duas ações no TSE solicitando a remoção de vídeos com cortes do debate das redes sociais dos presidenciáveis. Além disso, a defesa pede que sejam vetados impulsionamentos e aplicada multa de R$ 30 mil a cada um dos candidatos.
A coligação argumenta que as declarações de Caiado e Renan Santos tiveram o propósito de “induzir o eleitorado a erro”, ultrapassando as balizas da liberdade de expressão para ingressar no campo da desinformação. O texto das ações sustenta que as falas não se enquadram como “crítica republicana voltada ao debate sobre a gestão pública”.
O caso ganhou repercussão após o debate presidencial, quando Caiado citou o filme Dark Horse, que retrata supostas conexões entre o governo brasileiro e a máfia venezuelana. A produção, baseada no livro de Aiex Gaspari, foi usada pelo candidato para atacar a gestão petista.
Especialistas em direito eleitoral avaliam que a decisão do TSE sobre o caso pode estabelecer precedentes importantes sobre os limites da propaganda negativa nas eleições. A corte deverá analisar se as falas de Caiado e Renan Santos configuram desinformação ou se estão protegidas pela liberdade de expressão política.
Enquanto isso, a campanha de Lula segue monitorando as redes sociais dos adversários e promete novas ações judiciais caso novas declarações consideradas difamatórias sejam feitas. A equipe do presidente também divulgou nota oficial reafirmando que Lulinha não possui qualquer envolvimento com os fatos narrados no filme.
Procurado pela reportagem, o comitê de Caiado não comentou as acusações até o fechamento desta matéria. O candidato do PSD mantém a agenda de campanha no interior de São Paulo, onde deve reforçar o discurso de combate à corrupção.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/caiado-diz-que-lulinha-e-ator-principal-de-esquema-e-fala-em-dark-lobby

