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São Paulo

Quatro suspeitos ligados ao PCC são denunciados por monitorar promotor e diretor de presídio

O Ministério Público de São Paulo denunciou quatro homens integrantes do PCC que, segundo investigação, monitoravam autoridades públicas para planejar atentados. Entre os alvos estavam o promotor Lincoln Gakiya e o coordenador de presídios Roberto Medina.

Coordenador de presídios Roberto Medina (à esquerda) e promotor de Justiça Lincoln Gakiya (à direita), autoridades monitoradas por cúpula do PCCFoto: Reprodução/Redes Sociais/Alfredo Henrique/Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
28 de julho de 202622:10
Atualizado agora há pouco às 01:10

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou quatro suspeitos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) por monitorar autoridades públicas com o objetivo de subsidiar atentados. A denúncia foi apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e tem como alvos o promotor Lincoln Gakiya e o coordenador de presídios Roberto Medina.

O grupo realizava um levantamento detalhado de rotinas, endereços e dados de autoridades públicas, que seriam repassados para a chamada Sintonia Restrita, setor responsável por ações estratégicas da facção. A investigação aponta que as informações seriam usadas para executar atentados contra as vítimas.

Os denunciados são Victor Hugo da Silva, conhecido como VH ou Falcão; Wellison Rodrigo Bispo de Almeida, o Corinthinha ou Maurício; Sérgio Garcia da Silva, o Messi; e Adilson Audinir Oliveira Junior, o Ju Machado. Eles foram identificados a partir da prisão em flagrante e da apreensão do celular de Victor Hugo.

A análise do aparelho revelou que Victor Hugo era encarregado de monitorar Roberto Medina em Presidente Venceslau, interior de São Paulo. Wellison Rodrigo, por sua vez, recebia as informações e as repassava para a cúpula do PCC. Sérgio Garcia também realizou levantamentos, especialmente sobre a rotina do promotor Lincoln Gakiya.

Adilson Audinir atuava como interlocutor e colaborador de Sérgio em tratativas sensíveis, como a solicitação de exclusão de diálogos e auxílio na ocultação de vestígios digitais. Nos celulares dos investigados foram encontradas trocas de mensagens, imagens e vídeos que mostravam o monitoramento das vítimas e de seus familiares.

A apreensão dos aparelhos também permitiu identificar tratativas para a compra de fuzis e tráfico de drogas, comprovando o vínculo dos quatro homens com o PCC. Wellison chegou a alugar uma chácara na zona rural de Presidente Bernardes, próxima às rotas de deslocamento de Roberto Medina, cuja esposa também foi monitorada.

Em outubro do ano passado, o MPSP e a Polícia Civil deflagraram a Operação Recon, que revelou o plano do grupo. Na ocasião, foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão em sete cidades do interior paulista, incluindo Presidente Prudente, Álvares Machado e Presidente Venceslau.

O caso segue sob sigilo, mas a denúncia já foi aceita pela Justiça. Os quatro acusados podem responder por organização criminosa, tentativa de homicídio e outros crimes. A defesa dos envolvidos ainda não se manifestou.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/mpsp-denuncia-celula-do-pcc-que-vigiava-diretor-de-presidio-e-promotor

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