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Baixada Santista

Oito em cada dez vítimas fatais da Operação Escudo eram jovens negros periféricos

Relatório do Instituto Vladimir Herzog revela que 82% dos mortos nas operações policiais no litoral paulista tinham perfil de homens jovens, negros e moradores de áreas vulneráveis.

Instituto Vladimir Herzog aponta, que jovens negros moradores da periferia passaram a ser tratados como o principal alvo das operações. Arte Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
28 de julho de 202617:08
Atualizado agora há pouco às 20:08

Um relatório divulgado pelo Instituto Vladimir Herzog traça um perfil das vítimas das operações Escudo e Verão, realizadas pela Polícia Militar no litoral de São Paulo entre 2023 e 2024. O documento aponta que 82% dos mortos eram jovens negros, moradores de periferias da Baixada Santista.

As operações foram desencadeadas após mortes de policiais militares. A Operação Escudo começou em julho de 2023, depois que um soldado da Rota foi morto no Guarujá. Já a Operação Verão teve início em janeiro de 2024, na sequência do assassinato de três PMs. O governo estadual afirmou que as ações visavam prender os responsáveis e combater o tráfico de drogas e o crime organizado na região.

De acordo com o levantamento, a violência não atingiu a população de forma homogênea. A maioria das vítimas eram homens com até 29 anos, negros e residentes de bairros periféricos de cidades como Guarujá, Santos e São Vicente. O estudo ainda indica que essas pessoas tinham baixa escolaridade, viviam em situação de vulnerabilidade social e, em muitos casos, sustentavam suas famílias.

O instituto classifica as operações como exemplos de “operação vingança”, um tipo de ação que ocorre após a morte de um policial e se caracteriza pelo aumento da letalidade nos dias seguintes. O documento afirma que a letalidade deixa de ser uma consequência e passa a integrar a forma como a operação é conduzida. Também são citadas denúncias de invasões de domicílio sem mandado, agressões, tortura e adulteração de cenas de crime.

O relatório aponta que essas ações atingem prioritariamente jovens negros das periferias, o que, para a entidade, reforça a percepção de que esse grupo é tratado como principal alvo das operações policiais. Essa seletividade, segundo o instituto, faz com que essas mortes gerem menos comoção social e cobrança por responsabilização.

Outro ponto abordado é a construção da figura do “inimigo interno”. A política de segurança pública, na avaliação da entidade, passou a tratar o traficante de drogas como alvo central, associando essa imagem a homens jovens, negros e periféricos. Essa associação naturaliza a ligação entre esse perfil e a criminalidade, justificando o uso da força e o alto número de mortes.

As operações Escudo e Verão já foram alvo de denúncias internacionais. A Defensoria Pública de São Paulo e a Conectas Direitos Humanos acionaram a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) por supostas graves violações de direitos humanos durante as ações. O governo paulista, por sua vez, defendeu as operações como necessárias para a segurança pública.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/jovens-negros-sao-82-das-mortes-na-operacao-escudo-diz-relatorio

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