O tenente Ronickson Pimentel dos Santos, da Ronda Ostensiva Tobias de Aguiar (Rota), que foi gravemente ferido após ser baleado na cabeça em um atentado no fim de junho, participou de uma operação policial que culminou na morte de um importante membro do Primeiro Comando da Capital (PCC) dois anos antes do ataque. A informação consta em registros oficiais e depoimentos do próprio oficial.
A ação ocorreu na madrugada de 22 de maio de 2024, na Avenida do Estado, região do Ipiranga, zona sul de São Paulo. Márcio Silva de Oliveira, conhecido como Fatioli, teria acabado de deixar uma reunião com integrantes da facção em Heliópolis, também na zona sul, quando equipes da Rota iniciaram um acompanhamento.
De acordo com o processo do caso, Pimentel comandava a viatura que se aproximou do Peugeot branco ocupado por Fatioli e Lucas Rodrigues Gomes Chaves. Em depoimento à Polícia Civil, o oficial afirmou que efetuou quatro disparos de fuzil calibre 7,62 durante o suposto confronto. Os dois ocupantes do carro foram atingidos e morreram após serem socorridos.
A possível ligação entre aquela ocorrência e o atentado contra o tenente está entre as hipóteses investigadas pela Polícia Civil. Até o momento, não há conclusão oficial de que Pimentel tenha sido alvo de vingança. O oficial foi baleado na cabeça em 27 de junho, enquanto estava parado em um semáforo na Avenida Goiás, em São Caetano do Sul, no ABC paulista. Dois homens em uma motocicleta se aproximaram e o garupa efetuou os disparos, fugindo em seguida.
Fatioli era apontado pelos registros policiais como integrante do PCC e teria participado, naquela noite, de uma reunião da organização criminosa na comunidade de Heliópolis. Ele ocupava o cargo de “torre”, responsável por coordenar o tráfico de drogas, e também era apontado como fornecedor de entorpecentes para a região conhecida como Cracolândia, no centro paulistano.
Informações do setor de inteligência da Rota indicavam que Fatioli deixaria o local transportando armamento em um Peugeot 308 branco, o que mobilizou equipes do batalhão de choque para a zona sul. A presença dele na reunião, somada ao arsenal encontrado no veículo e à movimentação de outros integrantes da facção na região, dava a ele relevância dentro daquele núcleo criminoso.
Outro homem abordado pouco depois, em um Chevrolet Onix, afirmou aos policiais exercer a função de “disciplina” da Baixada do Glicério. Ele também disse que retornava da mesma reunião em Heliópolis. Na linguagem da facção, a “disciplina” é responsável por fazer cumprir normas internas e decisões do grupo em determinada área.
O Peugeot foi localizado por volta da meia-noite na Avenida das Juntas Provisórias. A equipe de Pimentel se aproximou e deu ordem de parada, mas o motorista seguiu em frente, segundo relato dos PMs. Iniciou-se então uma perseguição de aproximadamente um quilômetro, encerrada na altura do número 8.700 da Avenida do Estado. O carro branco parou junto ao concreto que divide as pistas. As viaturas fecharam a passagem. Pimentel e os demais policiais desembarcaram e caminharam em direção ao veículo.
Segundo a versão apresentada pelos integrantes da Rota, os ocupantes supostamente abriram fogo quando os policiais se aproximaram. A equipe reagiu. Pimentel afirmou à Polícia Civil que disparou quatro vezes com um fuzil FN Scar calibre 7,62. Outro policial efetuou quatro disparos com um segundo fuzil. Dois integrantes da equipe atiraram seis vezes cada um com pistolas calibre ponto 40.
Fotografias feitas na ocasião pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) mostram o Peugeot junto à barreira de concreto, com o para-brisa perfurado e uma sequência de marcas concentradas diante dos bancos ocupados pelas vítimas. A perícia registrou dez perfurações no veículo, das quais nove no para-brisa e uma na porta do passageiro.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/pm-irmao-de-eloa-participou-de-cerco-que-levou-chefao-do-pcc-a-morte


