UrgenteIdosa de 76 anos morre após ser submetida a cirurgia errada em hospital de Campinas
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Idosa de 76 anos morre após ser submetida a cirurgia errada em hospital de Campinas

Paciente com câncer de intestino foi operada por engano após confusão com outra mulher de mesmo nome. Hospital nega relação entre erro e morte.

Expulsão de Themba Zwane, da África do Sul
Raphael Nogueira Felix
23 de julho de 202610:56
Atualizado agora há pouco às 14:05

Uma paciente de 76 anos morreu três dias após ser submetida a uma cirurgia por engano no Hospital Beneficência Portuguesa, em Campinas (SP). Jandira Marina Dias Braga, que enfrentava um câncer de intestino, foi internada no início de junho por complicações em uma bolsa de colostomia, mas acabou passando por um procedimento destinado a outra mulher com o mesmo nome.

O erro começou ainda no pronto-socorro, quando a equipe médica administrou medicação errada à paciente, confundindo-a com outra pessoa de nome idêntico. De acordo com Camila Dias Barozzi, neta de Jandira, os profissionais não verificaram o nome completo da idosa antes de aplicar o remédio.

A família aguardava a definição do tratamento, já que os médicos haviam dito que Jandira não suportaria uma cirurgia. No entanto, na noite do dia 8 de junho, ela foi levada ao centro cirúrgico sem explicações claras. O procedimento realizado foi uma gastrostomia endoscópica, que consiste na colocação de uma sonda diretamente no estômago, indicado para outra paciente.

“A partir do momento que ela voltou da cirurgia, ela já começou a ter taquicardia, já começou a ter febre, já começou a ter tudo. Antes de ser dentista, fui técnica de enfermagem, trabalhei 12 anos dentro de uma UTI, ambulância e pronto-socorro. Então, tenho propriedade para dizer que ela começou a ter sintomas de infecção generalizada”, afirmou Camila.

A troca de pacientes só foi descoberta pelos médicos durante uma troca de plantão, quando perceberam que a verdadeira paciente que deveria passar pela cirurgia ainda estava no quarto. A equipe convocou uma reunião com a família e assumiu o erro, mas alegou que o procedimento trouxe um “benefício clínico” à idosa.

Nos dias seguintes, o estado de saúde de Jandira piorou, e os familiares optaram por cuidados paliativos. Ela morreu às 19h30 do dia 11 de junho. Para a neta, o hospital tem responsabilidade na morte precoce da avó. “Eles tiraram a chance e tiraram a fé que a gente tinha dela poder melhorar”, criticou.

Em nota, o Hospital Beneficência Portuguesa de Campinas informou que identificou a ocorrência de um evento adverso e que adotou as medidas assistenciais necessárias. A instituição afirmou que a avaliação médica concluiu que o procedimento não alterou o prognóstico da paciente.

“Desde a identificação do ocorrido, o Hospital instaurou sindicância interna para apuração rigorosa dos fatos, com o objetivo de identificar as circunstâncias da ocorrência e revisar os protocolos de segurança adotados pela instituição. O caso já está com encaminhamento aos conselhos profissionais competentes e foram adotadas medidas administrativas em relação aos profissionais envolvidos, incluindo desligamentos”, diz a nota.

O hospital reforçou ainda que já revisou seus protocolos de segurança assistencial para evitar que situações semelhantes voltem a ocorrer. A família de Jandira espera que o caso sirva de alerta para que outras pessoas não passem pela mesma tragédia.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/paciente-morre-cirurgia-por-engano

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