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São Paulo

Morte de pastor em abordagem da PM não foi registrada por câmeras corporais, aponta BO

Boletim de ocorrência indica que equipamentos foram acionados após os disparos; cinco policiais constam como 'não usou BodyCam'.

Cinco policiais envolvidos na abordagem que resultou na morte de um pastor não utilizaram câmeras corporais, conforme boletim de ocorrênciaFoto: metropoles.com
Raphael Nogueira Felix
14 de julho de 202621:57
Atualizado agora há pouco às 00:57

A morte do pastor José Carlos da Rocha Sobrinho, de 42 anos, durante uma abordagem policial na zona leste de São Paulo, não foi capturada pelas câmeras corporais dos agentes envolvidos. A informação consta no boletim de ocorrência (BO) registrado na Polícia Civil, que aponta que os equipamentos foram acionados somente depois dos disparos.

De acordo com o documento, os policiais da Companhia de Ações Especiais de Polícia (Caep) teriam ordenado a parada do veículo conduzido pelo pastor, que teria desobedecido, sacado uma pistola com numeração raspada e apontado a arma contra os agentes. Em reação, os PMs efetuaram os tiros que atingiram José Carlos no pescoço, na parte de trás da cabeça e na coxa. Ele foi socorrido ao Hospital Sapopemba, mas não resistiu.

O BO também revela que, nos campos de identificação dos cinco policiais envolvidos, consta a anotação de "não usou BodyCam". O documento não esclarece como essa informação se relaciona com a alegação de que as câmeras foram ligadas apenas após os disparos. Além disso, não foram localizadas câmeras de segurança na região que tenham registrado o momento da abordagem.

"Usou BodyCam: Não"

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou, em nota, que o Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) investiga o caso. A pasta afirmou que os policiais estavam equipados com câmeras corporais e que o protocolo de uso será analisado durante a investigação. A Corregedoria da Polícia Militar também acompanha o caso.

A morte do pastor provocou protestos no Jardim São Francisco, na zona leste. Na noite de segunda-feira (13/7), moradores saíram às ruas e, na terça-feira (14/7), novos atos bloquearam a Rua Miguel Ferreira de Melo, com objetos incendiados. O Corpo de Bombeiros foi acionado para conter as chamas, enquanto a Polícia Militar monitorava a manifestação e trabalhava para liberar o trânsito.

O caso segue sob investigação do DHPP e da Corregedoria da PM. A ausência de imagens do momento do confronto levanta questionamentos sobre a dinâmica dos fatos, que será apurada pelas autoridades. A população da região permanece mobilizada, cobrando esclarecimentos e justiça.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/pastor-morto-pms-acionaram-cameras-corporais-apos-disparos

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