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PF aponta que presidente do PL controlava emendas mesmo sem mandato; Dino bloqueia R$ 119 milhões

O ministro Flávio Dino determinou o bloqueio de R$ 119,2 milhões em bens do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, suspeito de indicar emendas orçamentárias na Câmara mesmo sem ser deputado.

Presidente nacional do PL, Valdemar Costa NetoFoto: Beto Barata/PL/Divulgação
Raphael Nogueira Felix
10 de julho de 202619:28
Atualizado agora há pouco às 22:38

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, autorizou o bloqueio de bens do presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, no valor de até R$ 119,2 milhões. A decisão atende a um pedido da Polícia Federal, que investiga a suposta participação do ex-deputado na indicação irregular de emendas parlamentares.

De acordo com as investigações, Valdemar, que atualmente não exerce mandato, teria controlado a destinação de recursos do orçamento da União por meio de servidores da Câmara dos Deputados. A suspeita é que ele atuava como operador de um esquema que desviava verbas públicas para municípios indicados por ele.

A base da investigação são diálogos extraídos do celular de uma ex-servidora da Casa, identificada como Mariângela Fialek, conhecida como Tuca. Nas conversas, assessores discutem valores, municípios beneficiados e a necessidade de autorização de Valdemar para liberar as emendas.

Em uma das mensagens, um assessor escreve: "Marquei com o Valdemar amanhã 10:30. Acho que ele vai jogar no turismo os 24. Pode ser?", referindo-se a R$ 24 milhões em emendas. Em outro trecho, pergunta-se: "Fechou o valor do Pres Valdemar?" e a resposta é: "Pode colocar o máximo que der".

Por lei, apenas parlamentares em exercício podem indicar emendas orçamentárias. Valdemar Costa Neto foi deputado federal, mas não ocupa cargo eletivo atualmente, o que torna a suposta participação dele ilegal.

Além do bloqueio de bens, o ministro Dino determinou a suspensão imediata dos pagamentos de 21 emendas suspeitas, que somam R$ 119.216.703,15. A Câmara dos Deputados terá dez dias para apresentar documentos que comprovem a tramitação desses recursos.

A investigação é um desdobramento da Operação Transparência, deflagrada em dezembro de 2025. Na ocasião, a PF apreendeu o celular de Mariângela Fialek, apontada como peça-chave na distribuição das emendas do chamado "orçamento secreto". Ela trabalhou no gabinete do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) entre 2021 e 2025, e depois atuou na liderança do Progressistas na Casa.

Íntegra da nota da defesa de Valdemar: 

A defesa de Valdemar Costa Neto recebe com surpresa a decisão do Ministro Flávio Dino que decretou medidas cautelares em seu desfavor. Com o devido respeito, a decisão parte de premissas frágeis, inferências subjetivas e de uma indevida criminalização da atividade político-partidária.

Valdemar Costa Neto nega categoricamente a prática de qualquer crime. Não há qualquer prova, ou mesmo indício, de que tenha aderido conscientemente a um suposto esquema criminoso.

É natural e legítimo, no sistema democrático, que um presidente partidário dialogue com parlamentares, defenda prioridades programáticas, articule interesses nacionais e regionais e influencie politicamente sua bancada. Nada há de criminoso nisso. A atuação político-partidária somente poderia ter relevância penal se acompanhada de indícios concretos de fraude, desvio funcional, ocultação deliberada ou apropriação indevida da execução da despesa pública. Esses elementos não estão minimamente demonstrados.

Fonte de referência: g1.globo.com — https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/07/10/fechou-o-valor-do-pres-valdemar-pode-colocar-o-maximo-que-der-leia-dialogos-em-que-a-pf-se-baseia-para-bloquear-r-119-milhoes-de-valdemar-costa-neto.ghtml

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