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São Paulo

Pesquisa da USP revela danos profundos em cabelos submetidos a químicas e calor intenso

Estudo do Instituto de Física da USP mostra que combinação de descoloração, alisamento e altas temperaturas pode causar danos irreversíveis à estrutura capilar.

Pesquisadores do Instituto de Física da USP analisam amostras capilares em laboratório, revelando danos estruturais causados por químicas e calor intenso. Foto: Agência SP

Raphael Nogueira Felix
7 de junho de 202610:50
Atualizado há 2 horas às 13:50

Uma pesquisa conduzida no Instituto de Física (IF) da Universidade de São Paulo (USP) traz alertas importantes para quem utiliza procedimentos químicos nos cabelos, como descoloração e alisamento ácido, associados ao calor de chapinhas e secadores. O estudo, realizado durante o doutorado da engenheira química Cibele de Castro Lima, revela que os fios podem sofrer danos estruturais severos e, em alguns casos, irreversíveis.

Os experimentos utilizaram técnicas avançadas, como microscopia eletrônica, espectroscopia e espalhamento de raios X, para observar em tempo real as alterações na estrutura capilar. Foram analisados fios naturais (virgens) e quimicamente tratados, submetidos a temperaturas entre 30°C e 270°C, faixa comum em salões de beleza. Os resultados mostraram que a camada interna do cabelo, o córtex, é mais sensível ao calor do que a cutícula externa, contrariando a percepção comum de que os danos térmicos atingem primeiro a superfície.

De acordo com a pesquisadora, os danos mais graves foram observados nos cabelos que passaram simultaneamente por descoloração, alisamento ácido e exposição a altas temperaturas. As análises indicaram que, a partir de 220°C, começam processos de degradação nas cadeias de queratina, principal proteína que confere força e resistência aos fios. Entre 220°C e 250°C, ocorre desnaturação e quebra das estruturas internas do córtex, enquanto a cutícula suporta temperaturas um pouco mais altas, acima de 250°C.

Outro achado relevante foi a perda de lipídios, substâncias que ajudam a manter a hidratação e a organização das fibras. Acima de 70°C, os lipídios já mostravam instabilidade, especialmente em cabelos alisados, e praticamente desapareciam em temperaturas superiores a 260°C. Isso indica danos severos e irreversíveis à estrutura capilar.

O estudo também identificou que o odor forte percebido durante o uso da chapinha está relacionado à liberação de gases provenientes da decomposição de aminoácidos que contêm enxofre, como a cistina. Esse cheiro, segundo a pesquisadora, é um sinal de que a fibra capilar está sofrendo danos estruturais importantes causados pelo excesso de calor, especialmente quando a temperatura ultrapassa 200°C.

O professor Cristiano Oliveira, orientador da pesquisa, destaca que o conhecimento gerado pode trazer impactos para a indústria cosmética, ao identificar temperaturas críticas em que começam os processos de degradação da queratina e dos lipídios. A pesquisa reforça a importância de cuidados com a saúde capilar e sugere que a combinação de tratamentos químicos e calor intenso deve ser feita com moderação e orientação profissional.

Fonte de referência: Agência SP — https://www.agenciasp.sp.gov.br/microscopio-eletronico-da-usp-mostra-danos-estruturais-ao-cabelo-apos-descoloracao-alisamento-e-calor/

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