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São Paulo

Pesquisador de Stanford aponta que Provão Paulista amplia acesso de alunos ao ensino superior

Estudo com mais de 200 mil estudantes da rede estadual mostra que a participação no Provão Paulista é cerca de 20 pontos percentuais maior que no Enem, reduzindo barreiras ao ingresso na universidade.

Estudo com mais de 200 mil alunos da rede estadual mostra que o Provão Paulista amplia acesso ao ensino superior, com participação 20 pontos percentuais maior que no Enem. Foto: Agência SP

Raphael Nogueira Felix
4 de junho de 202612:50
Atualizado agora há pouco às 15:50

Um estudo conduzido por Gabriel Marcondes Koraicho, doutorando na Universidade Stanford, nos Estados Unidos, revela que o Provão Paulista Seriado tem contribuído para diminuir os obstáculos enfrentados por estudantes da rede pública de São Paulo no acesso ao ensino superior. A pesquisa, que ouviu mais de 200 mil alunos, aponta que a realização da prova dentro das escolas e durante a semana letiva facilita a participação dos jovens.

Koraicho, que é formado em economia pela USP e já estudou políticas públicas de acesso à universidade, iniciou a parceria com a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) em 2024. O objetivo era compreender, a partir da percepção dos próprios estudantes, quais são as principais dificuldades para ingressar na faculdade. A pesquisa foi feita em duas etapas ao longo do ano letivo.

Os primeiros resultados indicam que mais de 80% dos entrevistados manifestaram interesse em cursar o ensino superior nos dois anos seguintes à conclusão do Ensino Médio. No entanto, apenas 47,5% compareceram aos dois dias de prova do Enem em 2024. Em contraste, a presença no Provão Paulista foi aproximadamente 20 pontos percentuais maior, mostrando que a logística da prova influencia a adesão.

Segundo o pesquisador, a diferença se deve ao fato de o Provão ser aplicado na própria escola dos alunos, durante o período de aulas, o que reduz custos de deslocamento e a necessidade de se adaptar a um ambiente desconhecido. “Isso reduz bastante as barreiras”, afirmou Koraicho. Ele também destacou a importância de ferramentas como o Prepara SP, um cursinho online preparatório para vestibulares, que está disponível no aplicativo Sala do Futuro.

A pesquisa também revelou que a maioria dos estudantes pretende trabalhar logo após o Ensino Médio, conciliando emprego e estudos. Para Koraicho, as universidades e as políticas públicas precisam considerar essa realidade, já que “a universidade ainda tem uma visão muito elitizada de que o aluno vai apenas estudar”.

Outro ponto positivo observado foi a percepção dos alunos sobre o papel da escola e da família. Os estudantes avaliam bem a participação dos pais e o apoio recebido na escola, mas o pesquisador acredita que ainda há espaço para melhorar o engajamento familiar. Em 2025, a Seduc-SP lançou o aplicativo Sala do Futuro, que já foi baixado por 615 mil familiares e permite acompanhar frequência, boletins e atividades dos alunos.

O estudo, que abrangeu estudantes de todas as regiões do estado, deve subsidiar a formulação de novas estratégias para apoiar os jovens na transição para o ensino superior. Koraicho espera que os dados contribuam para políticas públicas mais eficazes e para ações dentro do ambiente escolar, reforçando a importância da escola e da família nesse processo.

Fonte de referência: Agência SP — https://www.agenciasp.sp.gov.br/provao-paulista-aponta-pesquisa-stanford/

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