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Ultrassom de alta frequência elimina vírus da Covid-19 e influenza A sem prejudicar células humanas, aponta pesquisa da USP

Estudo da USP demonstra que ondas ultrassônicas podem romper a estrutura de vírus como SARS-CoV-2 e H1N1, abrindo caminho para tratamentos inovadores contra doenças virais.

Pesquisa da USP mostra que ultrassom de alta frequência elimina vírus da Covid-19 e influenza A sem danificar células humanas, abrindo caminho para novos tratamentos. Fonte: Agência SP

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Redação
19 de abril de 202616:16
Atualizado há 8 horas às 19:17

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) revelaram que ondas de ultrassom de alta frequência, semelhantes às utilizadas em exames médicos, têm a capacidade de eliminar vírus como SARS-CoV-2 e H1N1 sem causar danos às células humanas. A descoberta foi divulgada em artigo publicado na revista Scientific Reports.

O fenômeno, denominado ressonância acústica, provoca alterações na estrutura dos vírus, levando à ruptura do envelope viral e, consequentemente, à inativação do agente infeccioso. Segundo o professor Odemir Martinez Bruno, do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP, responsável pela coordenação do estudo, a energia das ondas sonoras causa uma transformação morfológica nas partículas virais comparável ao estouro de uma pipoca.

A técnica apresenta potencial para o desenvolvimento de tratamentos alternativos para doenças virais causadas por vírus envelopados, como dengue, zika e chikungunya. Atualmente, a equipe realiza testes in vitro para avaliar a eficácia do método contra essas infecções.

Flávio Protásio Veras, professor da Universidade Federal de Alfenas (Unifal) e bolsista de pós-doutorado da FAPESP, destaca que a estratégia é promissora, principalmente por não gerar resíduos, não provocar impacto ambiental e não favorecer resistência viral, diferentemente de alguns antivirais químicos.

A pesquisa envolveu uma equipe multidisciplinar, contando com especialistas em física teórica, acústica, virologia, doenças inflamatórias, farmácia e tecnologia, provenientes da USP e da Universidade Estadual Paulista (Unesp). O estudo também contou com a colaboração do professor Charles Rice, da Universidade Rockefeller, prêmio Nobel de Medicina em 2020, que forneceu vírus fluorescentes para análise em tempo real.

Os pesquisadores ressaltam que a eficácia do método está relacionada ao formato esférico dos vírus envelopados, que favorece a absorção da energia ultrassônica e leva à ruptura mecânica do envelope. Essa característica geométrica torna a técnica eficaz independentemente das mutações genéticas dos vírus, como as variantes da Covid-19.

Ao contrário do uso tradicional do ultrassom para descontaminação, que utiliza a cavitação em baixas frequências e pode danificar tecidos, a ressonância acústica emprega ondas de alta frequência (3-20 MHz), que afetam seletivamente os vírus sem prejudicar as células humanas.

De acordo com Bruno, a energia sonora provoca vibrações internas na estrutura viral, resultando em sua destruição sem alterar temperatura ou pH do ambiente. Assim, a metodologia apresenta um mecanismo seguro e específico para combater vírus envelopados, oferecendo uma alternativa verde e inovadora no tratamento de infecções virais.

Fonte de referência: Agência SP — https://www.agenciasp.sp.gov.br/pesquisa-mostra-que-ultrassom-pode-eliminar-virus-da-influenza-a-e-da-covid-19-sem-danificar-celulas-humanas/

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