De acordo com as investigações, a suspeita teria convencido os moradores de que havia fugido do estado do Pará para escapar de uma situação de violência familiar. Sensibilizada com a história, a família passou a tratá-la como filha, oferecendo moradia, cuidados e apoio emocional ao longo de aproximadamente 14 meses.
Segundo a Polícia Civil, a mulher utilizava o nome fictício de "Gabriele" e mantinha comportamentos que reforçavam a narrativa construída. Entre as estratégias apontadas pelos investigadores estavam mudanças na voz, atitudes infantilizadas e relatos de supostos problemas de saúde para justificar características incompatíveis com a idade informada.
Durante o período em que permaneceu na residência, a suspeita participou da rotina familiar e chegou a receber comemorações de aniversário, presentes e um quarto decorado com elementos infantis. A relação de confiança, segundo a polícia, foi construída gradualmente até que familiares passaram a desconfiar da versão apresentada.
A fraude veio à tona após informações repassadas às autoridades, que iniciaram uma apuração detalhada. Conforme o delegado responsável pelo caso, foi constatado que a mulher já possuía registros semelhantes em outros estados brasileiros, indicando um possível histórico de utilização da mesma estratégia.
As investigações apontam ainda que ela teria recebido ajuda financeira e apoio de integrantes de uma comunidade religiosa local antes de ser acolhida pela família.
Após a confirmação da verdadeira identidade da suspeita, ela foi presa pelos crimes de falsa identidade e estelionato. A Polícia Civil continua analisando o caso para verificar se existem outras possíveis vítimas e se houve obtenção de vantagens materiais durante o período em que viveu sob a falsa identidade.
O episódio chamou a atenção pela complexidade da fraude e pelo forte envolvimento emocional criado com a família que acreditava estar ajudando uma adolescente em situação de vulnerabilidade.


