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Franca

Operação em Franca apura uso de procurações antigas para ações de aposentados

Ministério Público e Polícia Militar cumprem mandados contra escritórios suspeitos de propor milhares de ações sem o conhecimento de aposentados e pensionistas; Justiça bloqueia até R$ 3,1 milhões.

Imagem colorida de integrante do Gaeco, do MPSPFoto: Divulgação/MPSP
Raphael Nogueira Felix
20 de outubro de 202608:05
Atualizado há 40 minutos às 11:05

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) e a Polícia Militar deflagraram nesta terça-feira (20) a Operação Garateia, que investiga um esquema de fraudes em ações judiciais movidas em nome de aposentados e pensionistas na região de Franca, no interior paulista. A Justiça determinou o bloqueio de bens dos investigados até o limite de R$ 3,1 milhões.

A apuração começou em 2024, a partir de indícios de que escritórios de advocacia usavam procurações antigas ou genéricas para propor milhares de ações sem que os clientes soubessem. Segundo o Tribunal de Justiça de São Paulo, foram mais de 12 mil ações ajuizadas entre 2022 e 2025.

De acordo com uma análise financeira citada pelas autoridades, contas ligadas aos investigados receberam cerca de R$ 10,9 milhões em 3.812 levantamentos de valores depositados em processos judiciais, no período de janeiro de 2021 a junho de 2025. A suspeita é de que 25% desse total tenha sido transferido a pessoas de fora do grupo.

A investigação também aponta que uma empresa ligada aos suspeitos arrecadou aproximadamente R$ 770 mil em taxas cobradas de mais de 2,7 mil pessoas. Entre dezembro de 2024 e março de 2025, cerca de R$ 1,38 milhão foi sacado em espécie, valor que não foi localizado pelos investigadores.

Nesta terça-feira, os agentes cumprem cinco mandados de busca e apreensão em cinco endereços na cidade de Franca. O material apreendido será analisado e poderá embasar novas medidas no decorrer das apurações.

São investigados os crimes de organização criminosa, estelionato, apropriação indébita e lavagem de dinheiro. A operação foi batizada de Garateia em referência a um anzol de três pontas usado na pesca para aumentar as chances de fisgar o peixe.

«O nome faz referência ao método investigado, no qual uma única procuração era aproveitada para propor várias ações em nome do mesmo cliente, multiplicando os processos a partir de uma só autorização», explicou o MPSP em nota.

As autoridades orientam aposentados e pensionistas a verificarem junto aos órgãos competentes se existem ações judiciais em seu nome e a procurarem a polícia em caso de suspeita. O caso segue sob sigilo e não há informações sobre possíveis prisões até o momento.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/operacao-mira-escritorios-de-advocacia-por-fraudes-contra-aposentados-em-sp

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