O Ministério Público de São Paulo (MPSP) protocolou uma petição solicitando o arquivamento do inquérito que apurava a participação da aposentada Elizabete Arrabaça, de 68 anos, na morte da amiga Élede Guidi, de 80 anos, ocorrida em dezembro de 2026 na cidade de Pontal, interior paulista.
Elizabete está presa preventivamente na Penitenciária de Tremembé desde agosto de 2025, em razão de outra investigação: ela é acusada de envenenar a própria filha, a médica veterinária Nathalia Garnica, e a nora, a professora de pilates Larissa Rodrigues. A morte de Élede passou a ser investigada depois que essas suspeitas vieram à tona.
No documento encaminhado à 1ª Vara da Comarca de Pontal, o promotor Patrick Carvalho Silva concluiu que, apesar das suspeitas iniciais, não há elementos suficientes para caracterizar homicídio. A promotoria destacou que a ocorrência da morte é incontroversa, mas não é possível demonstrar sua natureza criminosa, ou seja, que tenha sido causada por administração de substância tóxica ou qualquer outra ação humana dolosa.
O exame necroscópico realizado na época apontou como causa da morte insuficiência respiratória aguda grave, com edema pulmonar agudo e pneumonite à direita. A conclusão pericial indicou que não foi possível confirmar intoxicação por chumbinho, substância inicialmente suspeita.
Durante as investigações, uma testemunha relatou que, no dia em que Élede foi encontrada sem vida, Elizabete chegou rapidamente ao imóvel, apesar de residir em Ribeirão Preto, e se dirigiu diretamente à cozinha, onde abriu o forno e algumas gavetas, tentando fazer com que a testemunha deixasse o cômodo. A aposentada não teria ido até o local onde o corpo estava e deixou a residência minutos depois.
A testemunha também mencionou que a vítima havia emprestado R$ 3 mil a Elizabete, e que a investigada teria deixado de visitá-la em razão dessa dívida. Afirmou ainda que Élede era lúcida, ativa e independente, sem doença grave conhecida que justificasse a morte repentina.
Em sua manifestação, o promotor reconheceu que a investigação revelou circunstâncias que suscitam suspeita, como a chegada da investigada à residência da vítima no dia do óbito, seu comportamento na cozinha, a notícia de dívida entre as partes e a visita realizada cerca de uma semana antes da morte, após longo período sem contato. Contudo, tais circunstâncias foram classificadas como meramente indiciárias e insuficientes para suprir a ausência de comprovação da ocorrência de um homicídio.
A Polícia Civil também chegou a suspeitar de envenenamento, mas concluiu o inquérito policial sem indiciar Elizabete, também por falta de elementos que demonstrassem a existência de crime. Exames complementares foram solicitados ao Núcleo de Perícias, mas os resultados não alteraram o entendimento sobre a causa da morte.
Com o pedido de arquivamento, cabe agora ao Judiciário decidir se acata a manifestação do Ministério Público ou se determina novas diligências. A defesa de Elizabete ainda não se manifestou publicamente sobre o caso.
Elizabete permanece presa preventivamente, mas por conta do processo relacionado às mortes da filha e da nora, que segue em andamento. A decisão sobre o arquivamento do inquérito referente a Élede Guidi pode ser proferida nos próximos dias.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/mpsp-pede-arquivamento-de-inquerito-contra-mulher-acusada-de-matar-amiga

