UrgenteEx-integral de rede de prostituição relata ameaças após denunciar esquema no Distrito Federal
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Sao Paulo

Ex-integral de rede de prostituição relata ameaças após denunciar esquema no Distrito Federal

Uma mulher que deixou uma rede de prostituição conhecida como 'império do job' diz ter recebido áudios com ameaças e ofensas atribuídos à ex-patroa. O caso veio à tona após ela revelar detalhes do funcionamento do grupo à coluna Na Mira.

IlustraçãoFoto: Arte/Metrópoles
RN
Raphael Nogueira Felix
1 de novembro de 202611:31
Atualizado agora há pouco às 14:31

Uma mulher que integrou uma rede de prostituição de luxo, identificada como 'império do job', afirmou ter recebido ameaças da suposta líder do esquema após prestar depoimentos à coluna Na Mira, do Metrópoles. As informações foram divulgadas na última terça-feira (27/10) e, desde então, a ex-integrante diz estar sendo intimidada.

Em um áudio obtido pela coluna, a mulher apontada como cafetina desafia a denunciante a um encontro pessoal e profere uma série de ameaças. «Vamos trombar, vamos trombar […] Vou dar um tiro na sua cara, piranha […] Isso aqui não é uma ameaça, minha filha. Isso aqui é um lembrete», diz a suposta cafetina na gravação.

No mesmo áudio, a autora das ameaças menciona um homem que teria influência e poder, sem revelar sua identidade. «Ele não é igual a eu, não, tá? Ele tem poder. Eu não sou merda nenhuma», afirma. A gravação também contém ofensas e, em determinado momento, a suposta cafetina ameaça incendiar a residência da denunciante.

«Se eu quisesse acabar com sua vida, eu já teria mandado meter fogo nesse barraco aí que você mora […] Se você for mulher de verdade mesmo, nós vamos trombar», completa a voz no áudio. A reportagem não conseguiu localizar a acusada para comentar as alegações até a publicação desta matéria.

As denúncias reveladas pela coluna Na Mira detalham a estrutura do esquema, que utiliza grupos de WhatsApp para controlar as profissionais. Nesses espaços, são definidas regras, punições e até restrições de acesso a oportunidades de trabalho. Um dos mecanismos citados é o chamado 'Tribunal do job', que decide quais mulheres podem permanecer na rede.

Segundo os relatos, profissionais que entram em conflito com as administradoras ou questionam as normas podem sofrer sanções e serem excluídas dos grupos — foi o que aconteceu com a denunciante. Para ter acesso a determinadas oportunidades, as mulheres precisam pagar uma taxa de R$ 300. Em alguns casos, quem é removido dos grupos teria de fazer novos pagamentos para voltar a receber ofertas de programas, cujos valores podem chegar a R$ 10 mil.

Outra ferramenta mencionada nas denúncias é a 'Black List Nacional/Internacional', uma lista de restrição que reúne nomes de profissionais consideradas indesejadas pelas administradoras. A existência dessa lista reforça o controle exercido sobre as participantes do esquema.

A reportagem procurou as autoridades responsáveis para verificar se há investigação em curso sobre as ameaças e o funcionamento da rede. Até o momento, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestações.

O caso levanta discussões sobre a vulnerabilidade de mulheres envolvidas em redes de prostituição e a necessidade de proteção para quem denuncia abusos. Especialistas ouvidos sob condição de anonimato apontam que a exposição pública pode agravar situações de risco, mas ressaltam a importância de canais seguros para relatos.

A identidade da denunciante e da suposta cafetina não foi revelada pela reportagem para preservar a segurança das envolvidas. Novas informações sobre o caso podem ser acrescentadas ao longo da apuração.

Fonte de referência: Metrópoles — https://metropoles.com/distrito-federal/na-mira/cafetina-a-frente-imperio-do-job-ameaca-delatora-dar-tiro-na-sua-cara

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