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Mogi das Cruzes

Mogi capacita cuidadores para proteger idosos dos efeitos do calor extremo

Prefeitura de Mogi das Cruzes realizou capacitação para profissionais e cuidadores sobre os impactos das mudanças climáticas na saúde da população idosa, com orientações sobre hidratação e sinais de alerta.

Camilla Taceli explicou que objetivo é capacitar cuidadores, familiares e até mesmo os próprios idosos
Raphael Nogueira Felix
27 de agosto de 202616:00
Atualizado agora há pouco às 19:00

A Prefeitura de Mogi das Cruzes promoveu, na manhã desta quinta-feira (27), uma capacitação voltada a profissionais e cuidadores de idosos com foco nos impactos das mudanças climáticas na saúde dessa parcela da população. O encontro, realizado no prédio II da administração municipal, foi conduzido pela Secretaria Municipal da Longevidade em parceria com as pastas do Clima e Meio Ambiente e de Saúde e Bem-Estar.

A iniciativa surge em um momento de atenção redobrada: o fenômeno El Niño se consolidou rapidamente e deve atingir seu pico de intensidade entre o fim deste ano e o início de 2027. Os idosos estão entre os grupos mais vulneráveis aos eventos climáticos extremos, com maior risco de internações, complicações graves e até mortalidade. A combinação de fragilidades fisiológicas naturais do envelhecimento e a alta prevalência de doenças crônicas explica essa suscetibilidade.

Durante a abertura, a secretária municipal de Longevidade, Camilla Taceli, destacou o objetivo do encontro. «Nosso objetivo é manter os cuidadores, familiares e até mesmo os próprios idosos atentos aos cuidados necessários para prevenir problemas de saúde diante das altas temperaturas», disse.

A médica geriatra Ana Carolina Dias Costa, pós-graduada em Cuidados Paliativos pelo Hospital Sírio-Libanês, alertou para os riscos do calor excessivo. «O calor excessivo pode representar uma emergência médica silenciosa para os mais velhos. Com o avanço da idade, o organismo reduz a capacidade de regular a própria temperatura e os receptores neurológicos ficam menos sensíveis, fazendo com que o idoso não sinta sede», explicou.

Como parte da ação, a Secretaria da Longevidade preparou um cartaz com orientações práticas, entregue aos participantes. A principal recomendação é a hidratação constante: idosos devem consumir água várias vezes ao dia, mesmo sem sentir sede. Outra orientação é manter os ambientes ventilados e frescos, utilizando ar-condicionado, ventilador ou recursos caseiros, como panos úmidos no rosto, punhos e pescoço nos dias mais quentes.

Os organizadores também listaram sinais de alerta que exigem atenção: fraqueza, tontura, dor de cabeça, náusea, cãibras, confusão, desmaio, pele muito quente, falta de ar ou piora de doenças crônicas. Nesses casos, a orientação é acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) pelo telefone 192.

Outro ponto debatido foi o aspecto comportamental. A pesquisa «A percepção das pessoas idosas diante das ondas de frio e calor», conduzida pela psicóloga Marcela Bezerra Dias, mestre em Ciências da Saúde e doutoranda em Desastres pela UNESP/CEMADEN, e pelo psicólogo Wagner Dias, mostrou que muitos idosos minimizam os efeitos do clima. É comum que encarem o calor ou o frio extremo como 'coisas da idade' e demorem a pedir ajuda ou adotar medidas de proteção.

A capacitação foi alinhada às orientações do Sistema Único de Saúde (SUS) para prevenção, preparação e resposta às emergências climáticas. A expectativa é que os participantes multipliquem as informações em suas comunidades, fortalecendo a rede de proteção aos idosos no município.

Além das mudanças físicas, evento mostrou questões comportamentais comuns entre os idosos
Além das mudanças físicas, evento mostrou questões comportamentais comuns entre os idosos

Fonte de referência: mogidascruzes.sp.gov.br — https://mogidascruzes.sp.gov.br/noticia/profissionais-e-cuidadores-participam-de-capacitacao-sobre-impactos-climaticos-na-saude-da-populacao-idosa

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