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Médico é investigado após morte de juíza que passou por coleta de óvulos em Mogi das Cruzes

Polícia Civil apura se houve falha no atendimento ou complicação do procedimento de fertilização in vitro que levou à hemorragia e morte da magistrada gaúcha.

Médico é investigado após morte de juíza que passou por coleta de óvulos em Mogi das Cruzes. Foto: Reprodução

Raphael Nogueira Felix
22 de maio de 202609:57
Atualizado há 1 hora às 12:59

A Polícia Civil de São Paulo instaurou inquérito para investigar a morte da juíza Mariana Francisco Ferreira, de 34 anos, ocorrida no dia 6 de maio, após um procedimento de coleta de óvulos em uma clínica de reprodução assistida em Mogi das Cruzes. O médico Maurício Costa Nunes Ligabô Júnior tornou-se alvo da investigação por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.

Segundo o boletim de ocorrência, Mariana realizou a coleta na manhã do dia 4 de maio e recebeu alta por volta das 9h. Em casa, começou a sentir fortes dores e sensação de frio, sendo levada pela mãe de volta à clínica aproximadamente duas horas depois. No retorno, a equipe médica constatou hemorragia vaginal e o médico realizou uma sutura para conter o sangramento.

Diante do agravamento, a juíza foi encaminhada ao Hospital e Maternidade Mogi Mater, onde deu entrada às 17h e foi internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). No dia seguinte, passou por cirurgia, mas o quadro evoluiu de forma grave. Na madrugada do dia 6, sofreu duas paradas cardiorrespiratórias e morreu às 6h03.

A mãe da juíza, Marilza Francisco, relatou que os médicos informaram que uma artéria no colo do útero havia se rompido durante o procedimento e que a filha perdeu cerca de dois litros de sangue. Ela afirmou que Mariana decidiu congelar óvulos para realizar o sonho de ser mãe no futuro.

Os investigadores analisam documentos da clínica In Vitro Reprodução Assistida e prontuários médicos da unidade e do hospital. Profissionais envolvidos no atendimento já foram intimados a depor. A defesa do médico pediu que o depoimento dele seja adiado até a conclusão do laudo necroscópico, que ainda não foi finalizado.

A Clínica Invitro Reprodução Assistida informou, em nota, que adotou imediatamente os protocolos técnicos desde os primeiros sinais de intercorrência e prestou atendimento emergencial, encaminhando a paciente ao hospital com acompanhamento da equipe. A clínica ressaltou que todo procedimento cirúrgico possui riscos inerentes e que atua dentro das normas técnicas e regulatórias.

O Hospital e Maternidade Mogi Mater afirmou que Mariana deu entrada com quadro de hemorragia aguda, foi atendida no pronto-socorro e encaminhada à UTI. A unidade disse que todas as medidas cabíveis foram adotadas, mas que, apesar dos esforços, a paciente não resistiu.

Mariana era natural de Niterói (RJ) e tomou posse como juíza no Rio Grande do Sul em dezembro de 2023, atuando na Vara Criminal de Sapiranga. O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul lamentou a morte e decretou luto oficial de três dias. A Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (AJURIS) manifestou pesar pela perda precoce da magistrada.

O corpo da juíza foi enterrado no dia 8 de maio no Cemitério da Saudade, em Mogi das Cruzes. O inquérito policial busca esclarecer se a morte foi resultado de complicações médicas inerentes ao procedimento ou de possível falha no atendimento.

Fonte de referência: g1 > Mogi das Cruzes e Suzano — https://g1.globo.com/sp/mogi-das-cruzes-suzano/noticia/2026/05/21/policia-instaura-inquerito-para-apurar-morte-de-juiza-apos-coleta-de-ovulos.ghtml

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