A Prefeitura de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, aplicou multa à fábrica da Bauducco localizada no município por descarte irregular de água em via pública. A autuação foi lavrada em 12 de agosto, após fiscalização que identificou o lançamento de águas servidas na sarjeta da rua Itá, ao lado da entrada principal do complexo fabril.
Segundo a Secretaria de Desenvolvimento Urbano, uma vistoria realizada em fevereiro deste ano constatou que a empresa não havia providenciado a captação adequada do líquido, que escorria para a rua. A pasta informou que a fábrica foi notificada na ocasião, mas, como as providências não foram tomadas, houve a autuação. A Bauducco recorreu da multa, mas o recurso foi negado pela administração municipal.
Moradores e trabalhadores da região relatam transtornos há cerca de três anos. O despejo ocorre em frente a um ponto de ônibus, onde a água amarelada se acumula próxima ao meio-fio, criando risco de quedas e molhando quem aguarda o transporte público. O mau cheiro, descrito como semelhante a esgoto, se espalha por quarteirões e piora em dias de calor.
«O fedor é constante, o dia inteiro», afirmou a jornalista Gabrielly Souza, que acompanha a situação. De acordo com ela, a condição atualmente é «insustentável».
O síndico de um prédio vizinho, que preferiu não se identificar, contou que funcionários da fábrica fazem o despejo durante a madrugada, de forma estratégica, para não serem flagrados. Segundo ele, quando há denúncias, a situação melhora temporariamente, mas logo retorna.
Procurada, a Bauducco, por meio do Grupo Pandurata, declarou que a água lançada na via é proveniente de chuvas e que o descarte gradativo tem o objetivo de prevenir alagamentos na região. A empresa não informou se pretende adotar medidas adicionais para conter o problema.
A Prefeitura de Guarulhos não detalhou se a multa já foi executada ou se há prazo para que a empresa regularize a situação. A administração municipal limitou-se a informar sobre a fiscalização e a autuação.
A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) realizou vistoria no local e constatou que as redes sob sua responsabilidade operam normalmente, sem registro de vazamentos ou outras irregularidades. A companhia não identificou relação entre o descarte e o sistema público de esgoto.
O caso evidencia a necessidade de fiscalização contínua sobre o descarte de efluentes industriais em áreas urbanas, especialmente quando afeta a mobilidade e a qualidade de vida de moradores. A reportagem tentou contato com a fábrica para obter mais esclarecimentos, mas não houve retorno até a publicação desta matéria.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/fabrica-bauducco-sp-agua-suja

