A morte de um menino de três anos em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre, ganhou novos desdobramentos. A Polícia Civil investiga se os irmãos da vítima, de 5, 7 e 9 anos, também foram agredidos pelo pai. O homem, um missionário norte-americano, está preso desde o último domingo (5) sob suspeita de espancar o filho até a morte porque a criança não lhe deu "bom dia".
A mãe do menino, Mayanna Angelina Rodgers, foi presa preventivamente na quinta-feira (9) por possível omissão. Segundo a polícia, ela sabia das agressões e não impediu os maus-tratos. A corporação também encontrou registros em outros dois estados brasileiros que indicam que os filhos mais velhos do casal podem ter sofrido violência semelhante. A família ainda tem um bebê de um ano, mas não há indícios de que ele tenha sido vítima de agressões.
As crianças foram encaminhadas para acolhimento institucional por determinação do Conselho Tutelar. O pai, Dandre Jermaine Grayson, também é investigado por violência doméstica contra a esposa. Uma medida protetiva foi solicitada pela polícia, mas ainda não se sabe se a mulher era vítima ou cúmplice.
Em depoimento, o pai confessou ter agredido o menino com socos e batido sua cabeça contra o chão. A morte cerebral foi confirmada na noite de quarta-feira (8). Na manhã de quinta, com autorização da mãe, os órgãos da criança foram captados para doação.
O caso expõe falhas na rede de proteção infantil. O prefeito de Viamão, Rafael Bortoletti (PSDB), admitiu publicamente que "o Estado falhou" ao não evitar a tragédia. Em janeiro deste ano, o menino já havia sido levado a uma unidade de saúde com hematomas e, em outra ocasião, com o braço quebrado, sob a justificativa de que teria se machucado no sofá de casa. O filho mais velho, de 9 anos, também deu entrada em um centro de saúde com ferimento no rosto.
A família era acompanhada pelo Conselho Tutelar e pela rede de assistência social, composta pelas secretarias de Educação, Saúde e Desenvolvimento Social. Pelo menos sete encontros foram realizados pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) com a família.
"Eu, como prefeito, a polícia, todos nós falhamos. Uma criança de 3 anos jamais pode chegar a esse estágio. Eu me responsabilizo como prefeito sobre isso. Não tiro minha obrigação de reorganizar o meu sistema de rede", declarou Bortoletti em entrevista à Rádio Gaúcha.
"O sistema falhou. Independente do que o SUAS preconiza, a gente não pode permitir que uma criança de 3 anos de idade, que teve três momentos que se identificou algum tipo de agressão, algum tipo de marca, algum tipo de violência", completou o prefeito, criticando o Sistema Único de Assistência Social (SUAS), que estabelece o acolhimento institucional como última etapa.
A investigação segue em andamento para apurar a extensão das agressões contra os irmãos e a responsabilidade da mãe. O caso reacende o debate sobre a eficácia dos mecanismos de proteção à infância no país.
Fonte de referência: O Segredo: Notícias, Relacionamentos, Espiritualidade e Bem-Estar — https://osegredo.com.br/noticias/menino-morto-pai-irmaos-agressoes


