Uma fotografia feita pela reportagem do Metrópoles na escola Liceu Pasteur, na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, flagrou urnas eletrônicas já guardadas em caixas e mesários reunidos no local por volta das 17h deste domingo (25/10). O horário contraria a determinação do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que havia prorrogado o funcionamento das seções eleitorais até as 19h.
A decisão de Zanin foi tomada após pedido do Partido dos Trabalhadores (PT), que relatou problemas de transporte público em diversas cidades do país, com maior incidência em São Paulo e Salvador. O objetivo era permitir que eleitores que enfrentaram dificuldades de deslocamento pudessem votar.
Segundo apuração preliminar, os mesários do Liceu Pasteur teriam recebido informação equivocada de que o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kássio Nunes Marques, não teria acatado a decisão de Zanin. Com isso, seguiram o protocolo padrão de encerrar a votação às 17h, no horário de Brasília.
A cena no colégio da Vila Mariana não foi isolada. Relatos de mesários em diferentes regiões de São Paulo indicaram que diversas seções fecharam as portas e recolheram os equipamentos no horário original, antes mesmo da publicação oficial da prorrogação.
O episódio gerou dúvidas sobre a uniformidade da aplicação da medida nos locais de votação. A prorrogação determinada pelo STF previa que apenas as urnas que ainda estivessem abertas às 17h continuassem recebendo votos até as 19h. Equipamentos já lacrados e recolhidos, como os registrados na imagem, não poderiam ser reabertos.
A votação do segundo turno de 2026 foi marcada por transtornos logísticos, especialmente nas capitais. A falta de ônibus em quantidade suficiente para atender a demanda foi o principal argumento apresentado pelo PT ao STF para justificar a extensão do horário.
Procurado, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) não havia se manifestado até a publicação desta reportagem sobre o ocorrido no Liceu Pasteur. O Metrópoles tentou contato com a assessoria do TSE para esclarecer a orientação repassada aos mesários, mas não obteve retorno até o fechamento do texto.
A reportagem também apurou que, em outras escolas da capital, eleitores chegaram após as 17h e encontraram as portas fechadas, sem qualquer aviso sobre a prorrogação. A situação foi registrada em pelo menos três zonas eleitorais da região central e da zona oeste.
O caso levanta questionamentos sobre a comunicação entre as instâncias eleitorais e os trabalhadores que atuam nos locais de votação. A expectativa é de que o TSE divulgue um balanço oficial sobre o número de seções que encerraram os trabalhos antes das 19h e as justificativas apresentadas.
Enquanto isso, a apuração dos votos segue sob acompanhamento do STF, que determinou a pausa no processo até que se esclareça o alcance da prorrogação. Novas informações devem ser divulgadas ao longo da noite.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/foto-mostra-urnas-recolhidas-na-zona-sul-mesmo-apos-prorrogacao-de-votacao

