Mesários que atuaram em um colégio eleitoral na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, relataram à reportagem ter recebido orientações conflitantes sobre o horário de encerramento da votação neste domingo (25). Segundo os depoimentos, houve pressão para fechar as urnas antes das 17h e, mais tarde, para não acatar a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que estendeu o funcionamento até as 19h.
Uma das mesárias afirmou que, por volta das 16h59, foi instruída a encerrar todas as urnas. «Quando faltavam poucos segundos antes de fechar a votação, já começaram a passar para a gente fechar todas as urnas», disse. Ela acrescentou que uma mulher que já havia presidido sessões em outras eleições estranhou o procedimento: «Nunca aconteceu. Foi sempre normal».
De acordo com os relatos, após a ordem inicial, houve uma mudança: cerca de cinco minutos depois das 17h, as mesmas pessoas teriam voltado para informar que as urnas não poderiam ter sido encerradas, pois a votação continuaria. Os mesários também apontaram que os portões do colégio foram fechados cerca de dez minutos antes do horário previsto.
A confusão aumentou quando, já com as urnas fechadas e os boletins de urna impressos e assinados, os responsáveis pela sessão foram informados de que deveriam permanecer até as 19h e que a votação seria por cédula. «Aí passou alguém e falou que a gente ia ter que ficar até as 19h, e que a votação ia ser por cédula», contou uma das mesárias.
Segundo os depoimentos, por volta das 17h40, as mesmas pessoas retornaram para dizer que o colégio não acataria a decisão do STF de estender o prazo. A reportagem esteve no local e ouviu relatos de que a orientação para desconsiderar a determinação do Supremo partiu de integrantes da organização da seção eleitoral.
O episódio ocorreu em um contexto de mudanças de última hora no calendário eleitoral. O STF havia determinado a extensão do horário de votação em razão de problemas técnicos registrados em algumas regiões do país. A decisão, porém, gerou dúvidas entre mesários e eleitores sobre como proceder nos colégios eleitorais.
Procurada, a Justiça Eleitoral não havia se manifestado sobre os relatos até a publicação desta matéria. O Metrópoles tentou contato com a presidência da sessão eleitoral, mas não obteve retorno. A reportagem segue apurando se houve orientação oficial para o fechamento antecipado ou para o descumprimento da decisão judicial.
Eleitores que estavam no colégio também relataram dificuldades para votar após as 17h. Alguns afirmaram que encontraram os portões fechados e foram informados de que a votação havia sido encerrada. A situação gerou filas e protestos isolados nos arredores da escola.
O caso deve ser acompanhado pelos órgãos de fiscalização eleitoral. Em nota, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo informou que eventuais irregularidades devem ser comunicadas aos juízes eleitorais responsáveis por cada zona. A orientação é que os mesários sigam estritamente as determinações do Tribunal Superior Eleitoral e do STF.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/mesarios-de-escola-em-sao-paulo-relatam-pressao-para-encerrar-votacao

