Neste domingo de segundo turno, eleitores da capital paulista relataram demora no transporte coletivo, apesar da decisão do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) que exigia a operação de 100% da frota de ônibus. As queixas partem de diferentes regiões da cidade e apontam esperas prolongadas nos terminais e pontos de parada.
No Terminal Santo Amaro, na zona sul, passageiros afirmaram ter aguardado mais de uma hora para embarcar na linha 6901-10, que segue para Vargem Grande. A reportagem apurou que, em diversos itinerários, as empresas disponibilizaram uma quantidade de veículos próxima à de um sábado ou até inferior, alegando que a comunicação sobre a exigência ocorreu em cima da hora, inviabilizando a escala completa de motoristas e cobradores.
Na zona leste, uma eleitora relatou espera de cerca de 40 minutos por um ônibus em direção à Vila Esperança, na região da Penha. Diante da demora, ela optou por seguir viagem pela Linha 3-Vermelha do metrô. Já na zona norte, foram registrados relatos de trânsito intenso e lentidão nas imediações do Jaçanã, onde motoristas ofereciam caronas solidárias para ajudar os eleitores a chegar aos locais de votação.
O advogado Marco Aurélio Garcia, representante do Partido dos Trabalhadores (PT), declarou à imprensa que a frota em circulação na capital estaria em torno de 60% do total, contrariando a determinação da Justiça Eleitoral. Procurados, a Prefeitura de São Paulo e a SPTrans não haviam se manifestado até a publicação desta reportagem.
Em nota divulgada no início da tarde, o TRE-SP informou que «até o momento, não foi reportada para o tribunal qualquer situação que pudesse comprometer o exercício do voto». O órgão acrescentou que «a eleição está transcorrendo normalmente e os eleitores estão chegando aos seus locais de votação» e orientou que eventuais dificuldades sejam comunicadas ao Ministério Público Eleitoral (MPE).
A determinação para a operação integral da frota foi expedida pela Justiça Eleitoral como forma de garantir o deslocamento dos eleitores no dia da votação. A medida, porém, esbarrou em questões operacionais apontadas pelas empresas, que alegam não ter tido tempo hábil para reorganizar escalas e convocar todo o efetivo.
A reportagem percorreu as quatro regiões da cidade e coletou depoimentos que indicam um cenário desigual: enquanto alguns pontos registravam ônibus em intervalos considerados normais para um domingo, outros acumulavam passageiros à espera de transporte. A situação gerou apreensão entre eleitores que dependem exclusivamente do sistema público para chegar às urnas.
O episódio reacende a discussão sobre a fiscalização do transporte público em dias de eleição e a necessidade de planejamento prévio entre as empresas e os órgãos reguladores. Até o momento, não há informação sobre quantas linhas operaram abaixo da capacidade determinada ou se haverá alguma penalidade aos responsáveis.
A orientação do TRE-SP é que os eleitores que enfrentarem dificuldades de locomoção registrem denúncia junto ao Ministério Público Eleitoral, que poderá apurar eventuais descumprimentos da ordem judicial. O tribunal não detalhou como será feita a apuração dos relatos recebidos até agora.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/tre-determina-100-da-frota-mas-eleitores-denunciam-demora-de-onibus-em-sp

