O Monitor do Debate Político, ligado à USP e ao Cebrap, e a ONG More in Common Brazil informaram que não vão apresentar estimativas de público para os atos políticos realizados neste sábado (24) em São Paulo e no Rio de Janeiro. A decisão foi comunicada ao portal Metrópoles e ocorre às vésperas do segundo turno da eleição presidencial.
Segundo a nota enviada ao portal, a medida busca preservar a isonomia entre as manifestações. Os pesquisadores também decidiram não divulgar o número de participantes do ato de Flávio Bolsonaro, realizado na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, como forma de manter o equilíbrio entre as duas campanhas.
A justificativa técnica apresentada pelo grupo é que a autorização para sobrevoar com drones durante o ato pró-Lula na Avenida Paulista foi concedida apenas entre 13h30 e 14h40. Nesse intervalo, conforme o Monitor, os apoiadores do candidato ainda chegavam ao local. O pico da manifestação teria ocorrido entre 16h e 17h, quando Lula chegou e iniciou a travessia da avenida.
«Como não tivemos autorização para realizar o registro fotográfico no horário de pico da manifestação, decidimos não divulgar uma estimativa de público, para evitar a publicação de um número que certamente iria subestimar a dimensão efetiva do ato», afirma o texto enviado ao Metrópoles.
A restrição ao uso de drones no período de maior concentração foi atribuída à campanha petista, segundo o relato dos pesquisadores. A nota não detalha como se deu a proibição, mas afirma que a equipe de segurança do presidente já havia impedido a contagem em outras três ocasiões durante a campanha eleitoral de 2026.
De acordo com o Monitor, os episódios anteriores ocorreram no lançamento da campanha em São Bernardo do Campo, em 16 de agosto, no ato de 3 de outubro na Rua Augusta e na ida de Lula à Avenida Paulista em 11 de outubro. Nesta última, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) teria barrado o trabalho dos pesquisadores.
O grupo lembra ainda que circulam imagens aéreas divulgadas por veículos de imprensa e por perfis alinhados à campanha do candidato. A decisão de não divulgar números ocorre em um contexto de acirrada disputa eleitoral e de questionamentos sobre a precisão das contagens de público em atos políticos.
Procurada, a campanha de Lula não se manifestou até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para esclarecimentos. A reportagem também não localizou representantes do GSI para comentar as restrições mencionadas pelos pesquisadores.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/usp-nao-vai-divulgar-publico-de-atos-de-flavio-e-lula-deste-sabado-entenda

