Um novo laudo produzido pelo Instituto de Criminalística (IC) da Polícia Civil de São Paulo e anexado ao processo que investiga a morte da policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, reforça a conclusão de que a soldado não morreu de s**dio e aponta a participação de uma segunda pessoa na dinâmica da morte.
O documento foi incluído no processo em 2 de outubro e foi elaborado em resposta a questionamentos apresentados pela defesa do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, marido da vítima e réu no processo que apura o caso. A perícia manteve as conclusões de análises anteriores.
Gisele foi encontrada gravemente ferida por um disparo de arma de fogo na cabeça em 18 de fevereiro de 2026, no apartamento onde morava com o marido, no bairro do Brás, região central de São Paulo. Ela foi socorrida, mas não resistiu aos ferimentos.
Perícia aponta incompatibilidade com óbito
De acordo com o novo documento, os elementos encontrados no local não são compatíveis com a hipótese de que Gisele tenha efetuado o disparo contra a própria cabeça.
Entre os pontos analisados pelos peritos estão a posição do corpo, a localização da arma, os vestígios de sangue e as condições do ambiente no momento em que a policial foi encontrada.
Segundo a perícia, a arma estava sobre um guarda-roupa com aproximadamente dois metros de altura, enquanto Gisele tinha cerca de 1,65 metro. Testes e simulações realizados pelos peritos também foram utilizados para confrontar a versão apresentada pelo marido.
Outro ponto analisado foi a visibilidade a partir do banheiro. Os exames indicaram que a posição em que o tenente-coronel afirmou estar não permitiria que ele visualizasse a esposa caída da maneira relatada.
Os peritos também analisaram o sentido do escorrimento de sangue e outros vestígios encontrados no apartamento. As conclusões foram consideradas incompatíveis com a hipótese de óbito.
Marido é réu por feminicídio
O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 54 anos, está preso preventivamente desde 18 de março e responde pelos crimes de feminicídio e fraude processual.
Segundo a acusação, ele teria matado Gisele e posteriormente alterado a cena para simular um óbito.
A defesa do oficial, entretanto, nega as acusações. Geraldo sustenta que Gisele teria tirado a própria vida. A nova perícia apresentada ao processo, porém, manteve o entendimento de que essa versão não é compatível com os elementos técnicos encontrados no local.
Caso começou sendo tratado como óbito
Inicialmente, a morte de Gisele chegou a ser registrada como possível óbito. Com o avanço das investigações, porém, novos elementos levaram a Polícia Civil a tratar o caso como morte suspeita.
Perícias posteriores analisaram novamente a cena, os vestígios encontrados no apartamento e as circunstâncias da morte. Um laudo complementar divulgado anteriormente já havia apontado que a hipótese de óbito era incompatível com os elementos materiais analisados e indicado a intervenção de uma segunda pessoa.
O novo documento mantém essa linha de conclusão e responde aos questionamentos apresentados pela defesa.
Processo segue na Justiça
Geraldo Leite Rosa Neto foi pronunciado e deverá ser submetido ao Tribunal do Júri. A defesa continua sustentando a versão de óbito e contestando as acusações.
Além do processo criminal, o tenente-coronel também responde a um procedimento administrativo no âmbito da Polícia Militar, que pode resultar na perda do posto e da patente.
O caso continua em tramitação na Justiça. A participação efetiva do acusado e sua eventual responsabilidade criminal ainda serão definidas pelo Poder Judiciário.
O Diário do Estado de São Paulo procurou a defesa do tenente-coronel para comentar as conclusões do novo laudo. O espaço permanece aberto para manifestação e eventuais esclarecimentos.

