A Polícia Civil de São Paulo enviou nesta quarta-feira (26/8) à Polícia Federal, em Brasília, os dados relativos à Operação Wi-Fi Livre. O repasse das informações foi autorizado pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A investigação apura um contrato firmado entre a Prefeitura de São Paulo e a ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB), que pertence a Karina Gama, também dona da Go UP Entertainment, produtora da cinebiografia «Dark Horse», sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A operação, deflagrada no início de junho, apontou que a gestão Ricardo Nunes (MDB) teria pago um valor 230% maior do que o estipulado no mercado para que a ONG instalasse pontos de Wi-Fi em comunidades da capital paulista. Também são apuradas suspeitas de fraude na licitação.
No mês passado, Dino já havia autorizado a PF a investigar o repasse de emendas parlamentares a empresas vinculadas à produtora do filme. Durante a operação, foram realizadas buscas em dois endereços ligados a Karina e nas sedes do Instituto Conhecer Brasil e da Go Up Entertainment.
O ministro Flávio Dino é o relator da investigação sobre suspeita de envio de emendas parlamentares à produtora do filme «Dark Horse». Ele concentra no STF a relatoria de uma série de processos que apuram suspeitas em repasses de emendas a empresas, entidades e ONGs.
Em maio, o deputado federal Mario Frias (PL-RJ) respondeu a questionamentos do ministro sobre suspeitas de ter destinado emendas à ONG Instituto Conhecer Brasil. Segundo denúncia analisada pela Corte, o político teria destinado R$ 2 milhões à organização.
No mês passado, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, pediu que o caso fosse redistribuído ao ministro André Mendonça, responsável por outra investigação: o financiamento de R$ 61 milhões de Daniel Vorcaro.
A Polícia Civil de São Paulo não detalhou o conteúdo dos dados enviados à PF, mas a medida atende a decisão do STF. A expectativa é de que as informações auxiliem no avanço das apurações sobre possíveis irregularidades no contrato e no repasse de emendas.
A Prefeitura de São Paulo e a ONG Instituto Conhecer Brasil ainda não se manifestaram publicamente sobre o envio dos dados. O espaço segue aberto para esclarecimentos.
A Operação Wi-Fi Livre integra um conjunto de investigações que miram o uso de emendas parlamentares e contratos públicos. O caso segue sob sigilo na Justiça.
Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/policia-civil-envia-a-pf-dados-de-operacao-contra-produtora-de-dark-horse

