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São Paulo

Marginal Tietê supera 96% das cidades paulistas em roubos de celular no semestre

Via teve 207 ocorrências de roubo de celular no primeiro semestre, mais que 621 municípios do estado. Casos se concentram em trechos com trânsito lento.

Imagem mostra trânsito em São PauloFoto: William Cardoso/Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
26 de agosto de 202602:09
Atualizado há 3 horas às 05:09

A Marginal Tietê, uma das principais vias da capital paulista, registrou 207 roubos de celular no primeiro semestre deste ano. O número supera as ocorrências desse tipo de crime em 621 cidades do estado de São Paulo no mesmo período, o que representa mais de 96% dos municípios paulistas.

Para efeito de comparação, a via teve mais casos que São José dos Campos, que contabilizou 165 roubos, e São José do Rio Preto, com 137 ocorrências. Os dados foram obtidos pela reportagem a partir de boletins de ocorrência, considerando apenas roubos, ou seja, quando há violência contra a vítima.

O levantamento incluiu os registros feitos ao longo de todos os trechos da Marginal Tietê, que recebe diferentes nomes conforme o bairro, como Avenida Morvan Dias de Figueiredo e Avenida Otaviano Alves de Lima. Também foram considerados os acessos à via, e foram descartadas ocorrências em duplicidade.

Na última semana, ganhou destaque um vídeo que mostra pessoas em atitude suspeita na altura da Ponte Júlio de Mesquita Neto, na Barra Funda. Elas seriam integrantes da chamada «Gangue da Bananeira», que usaria a planta como esconderijo antes de atacar motoristas, com foco principalmente em celulares.

A região da ponte é conhecida pelos congestionamentos frequentes, mesmo fora dos horários de pico. No levantamento, há duas ocorrências no primeiro semestre em trechos relativamente próximos ao local apontado como área de atuação do grupo.

Os dados, porém, mostram que os pontos com maior incidência de roubos estão na margem oposta à que ficava a bananeira, que já foi cortada. Em alguns casos, os crimes ocorreram a mais de 10 quilômetros de distância do local. Nas proximidades da Vila Guilherme, onde a via é chamada de Avenida Morvan Dias de Figueiredo, foram 22 casos.

Já na Avenida Otaviano Alves de Lima, outro nome pelo qual a marginal é conhecida, houve 26 registros de roubos de celular, mas espalhados por diversos bairros ao longo de 7 quilômetros. A concentração de ocorrências em áreas de trânsito lento é um padrão observado em toda a via.

Se fossem considerados também os furtos de celular, quando não há violência contra a vítima, o número de crimes subiria para pelo menos 420 casos adicionais em seis meses. Especialistas em segurança pública apontam que há subnotificação nesse tipo de crime, o que significa que nem todas as ocorrências viram boletim de ocorrência.

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que as polícias realizam ações integradas e que os roubos de celulares na capital tiveram queda de 6,8% no primeiro semestre. A pasta não comentou especificamente os dados da Marginal Tietê.

Dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) mostram que ao menos 74 mil veículos passam diariamente pelas chamadas «pistas da bananeira», nas proximidades da Ponte Júlio de Mesquita Neto, em direção à Rodovia Ayrton Senna. A via segue como um dos principais corredores viários da cidade, e a segurança dos motoristas continua sendo um desafio.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/marginal-tiete-tem-mais-roubos-de-celular-que-96-das-cidades-de-sp

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