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São Paulo

Caiado critica gestão de Lula e promete reestruturar Itamaraty em eventual mandato

Em evento em São Paulo, o candidato à Presidência defendeu uma chancelaria técnica e independente, além de criticar o bloqueio europeu a produtos brasileiros.

Imagem colorida do candidato Ronaldo Caiado falando sobre o tarifaçoFoto: Leonardo Amaro/Metrópoles
Raphael Nogueira Felix
25 de agosto de 202612:53
Atualizado agora há pouco às 15:53

O candidato à Presidência da República Ronaldo Caiado (PSD) voltou a defender, nesta terça-feira (25), uma mudança na condução da política externa brasileira. Em participação no ABDIB Fórum Eleições 2026, realizado em São Paulo, o ex-governador de Goiás afirmou que, se eleito, pretende "resgatar o Itamaraty" e garantir que o órgão atue de forma técnica e independente.

Caiado criticou a postura do atual governo nas relações com outros países, especialmente com os Estados Unidos. Para ele, o Brasil não pode ficar "sequestrado apenas por um mercado" nem depender de alinhamentos ideológicos. "A chancelaria brasileira vai saber sentar na mesa e terá um presidente da República que não vai ficar fazendo provocações nem ilações contra outros presidentes", declarou.

O presidenciável também mencionou as sanções comerciais impostas pela União Europeia ao Brasil, que entram em vigor em setembro. A partir do dia 3, o país estará proibido de exportar carne, leite, ovos e outros produtos ao bloco europeu por não atender a critérios sanitários relacionados ao uso de antimicrobianos na pecuária.

O bloqueio europeu afeta diretamente a economia brasileira e expõe fragilidades na atuação do Ministério da Agricultura, avaliou Caiado. "Não é só americano. Em relação à União Europeia, a partir do dia 3 de setembro, que está aí, nós já vamos tomar um bloqueio, não é nem tributação, na exportação de carne, de águas, de leite, de ovos, tudo isso por questões sanitárias que o Ministério da Agricultura não conseguiu atender", criticou.

O candidato também comentou a recente conversa telefônica entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-presidente americano Donald Trump, ocorrida na sexta-feira (21). Segundo o Planalto, Trump concordou com a retomada das negociações comerciais entre os dois países. O governo brasileiro avalia que o diálogo pode abrir caminho para reverter as tarifas impostas pelos EUA após as eleições presidenciais deste ano.

Caiado, no entanto, ponderou que a política externa não pode ser pautada por improvisos ou confrontos pessoais. "Eu sei cumprir a liturgia do cargo e sei sentar na mesa de negociações. Sei negociar para que o Brasil possa expandir seu mercado", afirmou.

A declaração ocorre em meio a um cenário de incertezas no comércio internacional, com o Brasil enfrentando barreiras tanto dos EUA quanto da União Europeia. Especialistas apontam que a diversificação de parceiros comerciais é essencial para reduzir a vulnerabilidade do país.

O ex-governador defendeu ainda que o Itamaraty seja um órgão de Estado, e não um "braço de partido político". Para ele, a chancelaria deve priorizar os interesses nacionais acima de qualquer ideologia.

Durante o evento, Caiado também abordou outros temas da agenda política, mas reforçou que a retomada do protagonismo diplomático será uma das prioridades de um eventual governo seu.

A proposta de Caiado contrasta com a atual política externa, que tem sido marcada por tensões com importantes parceiros comerciais. O candidato busca se posicionar como uma alternativa capaz de restabelecer o diálogo e ampliar os mercados para os produtos brasileiros.

Fonte de referência: metropoles.com — https://metropoles.com/sao-paulo/caiado-tarifaco-resgatar-itamaraty

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